


Oração da Mãe Menininha
(Dorival Caymmi)
Ai! minha mãe
minha ‘’mãe menininha’’
ai! minha ‘’mãe
menininha’’ do Gantois
- a estrela mais linda, hein?
- tá no Gantois
- a beleza do mundo, hein?
- tá no Gantois
- e a mão doçura, hein?
- tá no Gantois
- o consolo da gente, ai?
- ta no Gantois
- a oxum mais bonita, hein
- ta no gantoi
Olorum que mandou
essa filha de oxum
toma conta da gente
e de tudo cuida
Olorum que mandô-ê-ô
ora-iê-iê-ô.
Hilda Hilst
05/02/09
Há cinco anos, a literatura brasileira perdia uma de suas vozes mais emblemáticas
Wilker Sousa

- Que azar! Essas foram as palavras do poeta Apolonio Prado Hilst ao constatar que sua mulher Bedecilda Cardoso dera luz a uma menina. Tempos depois, o casal se separa. Mãe e filha mudam-se para São Paulo e Apolonio, então com 35 anos, é internado em um sanatório na região de Campinas, vítima de esquizofrenia. Aquelas palavras do pai motivariam a jovem Hilda a dissuadi-lo. "Meu pai foi a razão de eu ter me tornado escritora. Eu tentei fazer uma obra muito boa para que ele pudesse ter orgulho de mim", declarou certa vez a poeta. Pena Apolonio não ter lido os primeiros versos da filha. A loucura o havia consumido.

Hilda Hilst, em seu apartamento da Alameda
Santos, em São Paulo, na década de 1950
Hilda Hilst estreou na poesia em 1950, com a reunião de poemas intitulada Presságio. Seus versos despertaram a admiração de Cecília Meireles. Eram tempos do curso de Direito no Largo São Francisco. Ao lado da amiga Lygia Fagundes Telles, a bela Hilda frequentava as principais festas da alta sociedade paulistana e despertava paixões. Vinícius de Moraes e o ator norte-americano Dean Martin foram seus amantes. O último, Hilda conhecera em viagem à Europa, em 1957.
Nos anos seguintes, novos livros foram publicados, até que em 1963, após ler Carta a el Greco, do escritor grego Nikos Kazantzaquis, Hilda Hilst decidiu abandonar o cotidiano da alta sociedade para dedicar-se exclusivamente à literatura. "Eu tinha que ser só, para compreender tudo, para desaprender e compreender outra vez. Minha vida era muito fácil, uma vida só de alegrias, de amantes", afirmou. Um dos princípios suscitados pela obra era o isolamento do mundo como forma de alcançar o verdadeiro conhecimento humano. Em um ato que mais tarde chamaria de "conversão", a poeta mudou-se para a Fazenda São José, em Campinas, propriedade de sua mãe. Três anos mais tarde, seria construída no local a Casa do Sol. Na companhia de amigos e dezenas de cães, Hilda viveria na casa até sua morte. Além de poesia, a autora passa a escrever prosa ficcional e teatro, ambos com alto teor poético. "Toda a minha ficção é poesia", afirmou. Hilda apontava Samuel Beckett e James Joyce como suas principais influências nesses gêneros.
Em 40 anos de produção literária, Hilda Hilst conquistou prêmios e teve a obra traduzida em países como França, Alemanha e Itália. Sua relação com a crítica foi instável ao longo dos anos. Bem quista inicialmente, sua obra recebeu duras críticas, especialmente na fase dedicada ao erotismo, em meados dos anos 1980. Pouco lida e em difícil condição financeira, a autora decidiu fazer versos que agradassem o grande público e consequentemente, vendessem mais. Não foi o que aconteceu. As vendas foram escassas e as críticas, severas. Porém, o conjunto de sua obra foi reconhecido ainda em vida. Os diversos prêmios conquistados, entre eles o Jabuti e o APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), atestam a importância de sua produção literária.
Tudo já estava dito em seus mais de 30 livros. Era chegado o momento de aceitar o silêncio. Nos últimos anos de vida, Hilda deixou de escrever. "Dever cumprido", afirmava. Estava conclusa a obra daquela que desejava levar adiante a poesia que o pai, impossibilitado pela loucura, não conseguira. Após o hiato literário, o adeus à Casa do Sol. A poeta, que tematizou Deus, a morte e a transcendência, partiu na madrugada do dia 4 de fevereiro de 2004. "Não sei se vou encontrar o papai. Eu queria tanto ficar com ele... ele era lindo."

Em sua mesa de trabalho, retratos de James Joyce (esq.) e seu pai, Apolonio Hilst (dir.)
A dramaturga
As oito peças que compõem a obra teatral de Hilda Hilst, três delas inéditas em livro, foram recentemente compiladas e publicadas pela Editora Globo. Com organização de Alcir Pécora, o volume conta ainda com posfácio da poeta e dramaturga Renata Pallottini.
Todas as peças foram escritas entre 1967 e 1969, período em que o teatro assumia uma forte conotação política, dado o contexto da ditadura militar. O tema central do teatro hilstiano é a dominação, geralmente exercida por uma instituição que se impõe por meio da força. Porém, diferentemente do que predominava na dramaturgia da época, as peças de Hilda Hilst não exaltam o populismo, nem a coletividade. Seus heróis são seres de exceção, responsáveis por criar as melhores hipóteses políticas, ante o conformismo e apatia da maioria.

Leia a seguir trechos de entrevista com a escritora Hilda Hilst à Folha
CASSIANO ELEK MACHADO
da Folha de S.Paulo
Folha - O comediante norte-americano Groucho Marx dizia que não gostaria de frequentar nenhum clube que o aceitasse como sócio. Como você se sente "frequentando", com a reedição de sua obra pela Globo, um grande clube?
Hilda Hilst - Você sabe que quando vem tão tarde como veio, a gente não sente muita alegria mais. Se fosse aos 30 anos, quando eu era linda, aí eu podia entender, mas quando você já está velha, com 70 anos, fica tudo muito sem graça. Mas, ainda assim, devo dizer que fiquei surpresa. Eu nunca achei que iam me ler mesmo. Não sei por quê. Tinha alguma coisa grave que eu não podia explicar. Eu achava que eu escrevia de modo simples e que era um absurdo não me entenderem.
Folha - Foi por isso que você começou a escrever, nos anos 90, as obras "pornográficas", tidas como mais fáceis?
Hilst - Achei que seria gostoso se as pessoas rissem, porque nunca riam de mim. E foi delicioso. Diziam que eu era difícil. Fizeram até teses dificílimas sobre mim. Esta semana mesmo veio aqui uma moça e disse: "Puxa, a Hilda Hilst mora aqui? Na Unicamp, ela é considerada uma deusa".
Podem achar que sou deusa, mas nunca ganhei nem grana, nem título de notório saber, como uma amiga minha. A única coisa que ganhei na vida foram várias tartarugas (estátua do Prêmio Jabuti). Queria mesmo era o Nobel.
Folha - Muitos artistas e escritores têm pudor em falar bem de seus próprios trabalhos, mas você sempre exaltou a sua obra. Por quê?
Hilst - Sempre me achei impressionante. Tudo o que eu escrevo é bom demais. Não sei por que dizem que não entendem nada.
Folha - Você relê seus livros?
Hilst - Ultimamente tenho relido algumas coisas, principalmente por causa das reedições.
Folha - Você se arrepende de algo que escreveu? Você pediu para que alguma de suas obras ficasse de fora de suas "Obras Completas"?
Hilst - Não, não tenho nenhum texto renegado. Gosto de tudo.
Folha - E qual o que você tem mais prazer em reler?
Hilst - Gosto tanto de quase todos que é difícil escolher um particular, mas eu acho que talvez eu diria o "Qadós". Parece que todo mundo achou esse livro chato. O brasileiro não lê nada, picas.
Folha - Por isso que você parou de escrever, como vem declarando?
Hilst - Na verdade até escrevo, mas eu acho que são coisas muito complicadas. Estou fazendo um livro que deve chamar "O Koisa". "O Koisa" é exatamente o caroço de azeitona que está na empada. Ninguém sabe o que falar sobre um caroço de azeitona.
Eu escrevo: "Entrei dentro da empada/ à meia-noite, e, em seguida/caguei o grãozinho negro/ dentro da privada de âmbar/ comecei a cantar o canto chulo de amoras negras/ mas belo, coloquial e absurdo/como é a vida".
Folha - "O Koisa" vai ser um romance? Eu vi uma entrevista sua em que você dizia que ficava muito chateada de nunca ter feito um romance tradicional: começo, meio e fim. Você ainda se arrepende?
Hilst - Eu não consigo. Eu assistia muito às novelas na TV por causa disso, eu tento ler coisas mais simplificadas, para ver se aprendo a ser simples, mas eu nunca consegui. Em "O Koisa" eu tentei, mas ele é tão complicado que quase ninguém vai entender.
Folha - Hilda vou te fazer uma pergunta difícil.
Hilst - Difícil eu gosto.
Folha - Eu queria saber se tem algum elemento comum que você enxergue em toda sua obra, seja nas poesias, no teatro, na prosa.
Hilst - A loucura. A tentativa de fazer uma coisa louca e boa. Eu tenho muito a ver com tudo isso, porque eu acho que o meu pai, que era louco, era deslumbrante. Ele era um gênio. Em 1920, por exemplo, dizia que o casamento é uma imoralidade porque faz do que nós temos de mais puro, o amor, uma coisa legal, isto é, pública e indecente. Ele publicou isso nos jornais de Jaú (SP).
Acho que ele ficou louco pela sua genialidade. Louco varrido. Teve uma vida terrível. Passou em montanhas de manicômios.
Folha - Você teme a loucura?
Hilst - Tive muito medo, eu nunca quis ter filhos por causa disso. Medo de que meu filho fosse esquizofrênico, como meu pai. Ainda tenho medo de ficar louca.
Folha - Mas dizem que as pessoas que têm medo de ficar loucas geralmente não ficam, não é?
Hilst - Graças a Deus.
Folha - Você fala sempre em Deus, mas também em imortalidade. Nos anos 70, você diz que gravou a voz de mortos.
Hilst - Imortalidade é minha maior crença. Já vi muitas pessoas que morreram. Outra vez eu vi meu pai. Cada coisa que eu tenho para contar. Mas não vou falar mais que pode fazer mal.
Folha - E por outra imortalidade, a da Academia Brasileira de Letras? O escritor Sérgio Sant'Anna disse que, se pudesse indicar alguém para a ABL, seria você, para "animar, erotizar e espiritualizar as sessões" Você aceitaria o convite?
Hilst - Não. Não sou ligada a essas coisas de Academia. Eu não tenho a menor vontade. Além disso, às vezes penso que posso um dia ser conhecida mais no mundo do que aqui, apesar de que para escritor brasileiro isso é difícil. Nem o Jorge Amado ganhou o Prêmio Nobel. Só aquele português, o Saramago, por quem não fico nada entusiasmada.
Folha - Quem te entusiasma?
Hilst - Os ensaios do George Bataille e o Guimarães Rosa.
Folha - Você considera Rosa o seu "duplo", como já disseram?
Hilst - Não sei, mas posso dizer que ele era muito meu amigo. Eu dizia a ele: Guimarães, você é ótimo, é lindo, mas você nunca vai ser traduzido porque você escreve cada coisa. Ele respondia: Acredite, eu vou ser, Hilda. E logo começaram a traduzir "Grande Sertão: Veredas" para tudo que é língua. E a tradutora do "Grande Sertão", Maryvonne Lapouge, acabou sendo minha tradutora para o francês, veja só. Incrível.
Folha - Falando em coisas "incríveis", quando você começou a juntar tantos cachorros em sua casa?
Hilst - Eu sinto muita compaixão dos cachorros pelo fato de eles não conseguirem se expressar. Eu moro na mesma casa há 35 anos. Sempre jogaram cachorros abandonados aqui. Eu ficava com pena e pegava. Acho que é o problema que eu tenho, o fato de eu mesma ter sido, por meu pai ter ficado louco, abandonada.
Folha - Você...
Hilst - Chega. Boa noite, ouviu? Tchau. Cansei.

Foi por iniciativa de Hilda Hilst (1930 -2004) que Zeca Baleiro se tornou parceiro da poeta paulista. Ao receber uma cópia do primeiro disco do compositor maranhense, Por Onde Andará Stephen Fry? (1997), enviada pelo próprio artista, Hilst ligou, propôs a parceria e mandou um disquete com sua obra poética.Foi no disquete que Baleiro descobriu o livro Júbilo Memória Noviciado da Paixão - escrito pela Hilda quando estava apaixonada platonicamente pelo Júlio de Mesquita Neto (vide as iniciais) - e decidiu musicar os versos do capítulo que dá título ao disco.
Depois de dois anos de trabalho, a gravadora de Zeca Baleiro, Saravá Disco, lançou o CD Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé - De Ariana para Dionísio - com poemas de Hilda Hilst musicados pelo artista maranhense.
por EU.

vc meu Eu...beijos..


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Não dá pra ser romântico!

Tarde da noite, casal conversando, já estavam deitados, quando...
MULHER : Se eu morresse você casava outra vez?
MARIDO: Claro que não!
MULHER : Não?! Não por que?! Não gosta de estar casado?
MARIDO: Claro que gosto!
MULHER: Então, porque é que não casava de novo?
MARIDO: Está bem, casava...
MULHER: (com um olhar magoado) Casava?
MARIDO: Casava. Só porque foi bom com você...
MULHER : E dormiria com ela na nossa cama?
MARIDO: Onde é que você queria que nós dormíssemos?
MULHER: E substituiria as minhas fotografias por fotografias dela?
MARIDO : É natural que sim...
MULHER: E ela ia usar o meu carro?
MARIDO: Não. Ela não dirige...
MULHER: !!!! (silêncio)
MARIDO : (em pensamento) F.u.d.e.u !!!
MORAL DA HISTÓRIA:
JAMAIS prolongue um assunto com uma mulher... apenas abane a cabeça ou diga
'A-HAM' ou 'HUM-HUM'.
muito bom...rsrrs...visitem..LaLi
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