


Oração da Mãe Menininha
(Dorival Caymmi)
Ai! minha mãe
minha ‘’mãe menininha’’
ai! minha ‘’mãe
menininha’’ do Gantois
- a estrela mais linda, hein?
- tá no Gantois
- a beleza do mundo, hein?
- tá no Gantois
- e a mão doçura, hein?
- tá no Gantois
- o consolo da gente, ai?
- ta no Gantois
- a oxum mais bonita, hein
- ta no gantoi
Olorum que mandou
essa filha de oxum
toma conta da gente
e de tudo cuida
Olorum que mandô-ê-ô
ora-iê-iê-ô.
O Amor é Filme
LirinhaO amor é filme!
Eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
Eu sei porque eu sei muito bem como a cor da manhã fica
Da felicidade,
Da dúvida,
Dor de barriga
É drama,
é aventura,
é mentira,
é comédia-românticaUm belo dia a gente acorda e bum!
Um filme passou pela gente
e parece que já se anunciou
O epísódio 2
é quando a gente sente o amor
se apuletar na gente
tudo acabou bem
agora é o que vem depoisÉ quando as emoções viram luz
E sombras e sons, movimento
E o mundo todo vira nós dois
Dois corações bandidos
Enquanto uma canção de amor
Persegue o sentimentoE sobem os créditos
O amor é filme
E Deus expectador
O amor que choveu
Antonio PrataEra uma vez um menino que amava demais. Amava tanto, mas tanto, que o amor nem cabia dentro dele. Saía pelos olhos, brilhando, pela boca, cantando, pelas pernas, tremendo, pelas mãos, suando. (Só pelo umbigo é que não saía: o nó ali é tão bem dado que nunca houve um só que tenha soltado).
O menino sabia que o único jeito de resolver a questão era dando o amor à menina que amava. Mas como saber o que ela achava dele? Na classe, tinha mais quinze meninos. Na escola, trezentos. No mundo, vai saber, uns dois bilhões? Como é que ia acontecer de a menina se apaixonar justo por ele, que tinha se apaixonado por ela?
O menino tentou trancar o amor numa mala, mas não tinha como: nem sentando em cima o zíper fechava. Resolveu então congelar, mas era tão quente, o amor, que fundiu o freezer, queimou a tomada, derrubou a energia do prédio, do quarteirão e logo o menino saiu andando pela cidade escura ― só ele brilhando nas ruas, deixando pegadas de Star Fix por onde pisava.
O que é que eu faço? ― perguntou ao prefeito, ao amigo, ao doutor e a um pessoalzinho que passava a vida sentado em frente ao posto de gasolina. Fala pra ela! ― diziam todos, sem pensar duas vezes, mas ele não tinha coragem. E se ela não o amasse? E se não aceitasse todo o amor que ele tinha pra dar? Ele ia murchar que nem uva passa, explodir como bexiga e chorar até 31 de dezembro de 2978.
Tomou então a decisão: iria atirar seu amor ao mar. Um polvo que se agarrasse a ele ― se tem oito braços para os abraços, por que não quatro corações, para as suas paixões? Ele é que não dava conta, era só um menino, com apenas duas mãos e o maior sentimento do mundo.
Foi até a beira da praia e, sem pensar duas vezes, jogou. O que o menino não sabia era que seu amor era maior do que o mar. E o amor do menino fez o oceano evaporar. Ele chorou, chorou e chorou, pela morte do mar e de seu grande amor.
Até que sentiu uma gota na ponta do nariz. Depois outra, na orelha e mais outra, no dedão do pé. Era o mar, misturado ao amor do menino, que chovia do Saara à Belém, de Meca à Jerusalém. Choveu tanto que acabou molhando a menina que o menino amava. E assim que a água tocou sua língua, ela saiu correndo para a praia, pois já fazia meses que sentia o mesmo gosto, o gosto de um amor tão grande, mas tão grande, que já nem cabia dentro dela.bjus..meu Eu.

Sexo e Luz
Gal Costa
Composição: Lokua Kanza/ Carlos RennóQuando o Sol
Abaixou
Num dia tão monótono,
A paixão
Me deixou
Atônito.Me tirou
Da rotina,
E num momento único,
Alterou
Meu destino
De súbito.Aí,
Saí do vale do meu tormento,
E fui
Cair no lago do teu amor;
Ali,
Aliviei todo o meu sofrimento,
E ui,
Me vi gemendo de prazer que nem de dor.Enfim, lancei
De mim um grito;
E em ti, fui um
Com o infinito.E no céu
Do meu eu,
No íntimo, no âmago,
Acendeu
Um límpido
Relâmpago.No ápice,
Em átimos
Que pareceram séculos,
Eu me banhei
E me lavei
Em sexo e luz.Então,
Além do monte, além do horizonte,
Oh sim,
Além do mundo, além da razão,
Oh não,
Bebi do poço sem fundo, da fonte
Sem fim,
O poço do desejo, a fonte da paixão.Enfim, lancei
De mim um grito;
E em ti, fui um
Com o infinito.(De nós...sempre...LaLi de Eu.)
Coração cor-de-rosa
Beth Valentim
Talvez a cor rosa signifique muitas coisas e, para inúmeras pessoas, lembre fragilidade, ações fúteis ou mulheres que não cresceram. No entanto, é no mundo desse tom que o gênero feminino floresceu, arrebentou as argolas do pulso, olhou de cima e encheu o peito de orgulho por ser mulher.
Traiu a tradicional cultura que fazia com que somente servisse, não pensasse e dissesse sempre "sim". Mas ergueu bandeira e saiu a caminho da liberdade que sonhou. Não é à toa que hoje ocupa um percentual alto no mercado de trabalho. Cada vez mais, lidera seus lares e torna-se, como mãe, ídolo de seus filhos - antes só os pais possuíam esse título.
A tarefa fora do lar e dentro do mesmo espaço confere à mulher cor de rosa uma medalha de honra ao mérito. Mesmo sem perder a feminilidade, a porção de sensualidade, beleza e tantos outros itens que a adorna, adotou o símbolo da luta e coragem para concorrer em uma estrada seguida antes apenas pelos homens.
Mundo cor de rosa... Vestidos da mesma cor... Gloss... Cheiro de rosas...Tudo rosa. O amor verdadeiro, o sorriso alegre, a espontaneidade e leveza de uma menina que adora crescer, mas jamais deixar de ser criança. Ser cor de rosa é ter o espírito dos pássaros em liberdade, voando pelos ares e conhecendo o céu como ninguém. Expandir-se... Superar... Não temer.
Existe uma lenda que diz que sobre um campo de batalha, onde caíam os mortos valentes guerreiros e heróis, nasciam roseiras com flores na cor rosa, e estas cresciam bravas e corajosas. Não tinham medo do forte vento que podia decepá-las, da chuva torrencial que jogava suas pétalas ao chão, nem da geada que jamais congelava sua cor. A rosa era o símbolo do amor e do dom do amor. Assim, acredito ser a mulher. Guerreira, que nunca se abate. Sabe que a disputa será cruel, mas que, com paciência, sabedoria, solidariedade, emoções leves condizentes à sua própria natureza, pode obter forças capazes de vencer seu íntimo inquieto, tão feminino, pela busca da liberdade e paz.

...cio...meu...seu..
levito...bailo...em tua volta
Mim...£å£i
por Eu...
Você...
mulher depois que ama
Uma coisa especial ocorre com a mulher depois que ama.
Reparem, estou dizendo: depois que ama.
Não estou me referindo a ela enquanto está no ato do amor.
Disto se pode falar também, e a literatura a partir do romantismo e depois o cinema, modernamente, já tentaram de várias formas simular na relação amorosa como a mulher suspira, se contorce, desliza as mãos e entreabre a boca do corpo e da alma.
Mas, quando digo "depois que ama", refiro-me ao estado de graça que a envolve após o gozo ou gozos, e que perdura horas e horas e às vezes dias.
Fica macia que nem gata aos pés do dono.
Mais que gata, uma pantera doce e íntima.
Sua alma fica lisinha, sem qualquer ruga.
A vida não transcorre mais a contrapelo. Desliza.
Ela tem vontade de conversar com as flores, com os pássaros, com o vento. Sobretudo, descobre outro ritmo em sua carne.
É tempo do adágio, de calma e fruição.
Neste período, aliás, o tempo pára.
Em estado de graça ela se desinteressa do calendário.
O cotidiano já não a oprime.
É a hora de uma ociosidade amorosa.
O fato é que a mulher nessa atmosfera sai do trivial, se agiliza e glorificada, pervaga pela casa.
O homem, animal desatento, às vezes não se dá conta.
Em geral, nunca se dá conta.
Ou dá-se conta nos primeiros minutos após o ato de amor, e depois se deixa levar pela trivialidade, deixando-a solitária em sua felicidade clandestina.
Na verdade, ela sobrepaira ao tempo, está adejando em torno do amado, que deveria suspender tudo para sentir desenhar-se em torno de si esse balé de ternura.
Deveria o homem avisar ao escritório: hoje não posso ir, estou assistindo à reverberação do amor naquela que amo.
E como isto se assemelha à floração rara de certas plantas.
Os amados deveriam interromper tudo: seus negócios e almoços e ficarem ali,prostrados, diante da que celebra nela o que ele ajudou a deslanchar.
Já vi algumas mulheres assim.
Era capaz de pressentir a 115 m que elas estavam levitando de tanto amor que seus amados nelas desataram.
Há uma coisa grave na mulher que foi ao clímax de si mesma.
Que não esteja distraído o parceiro ou parceira.
Ela tem mesmo um perfume diverso das demais.
É um cio diferente.
É quando a mulher descerra em si o que tem de visceralmente fêmea, tranqüila que, mais que possuída, possui algo que atingiu raramente.
As outras mulheres percebem isto e a invejam.
Os machos farejam e se perturbam.
É como se estivessem num patamar seguro a se contemplar.
É quase parecido a quando a mulher vive a maternidade.
Mas aqui é ainda diferente, porque na maternidade existe algo concreto se movimentando dentro dela.
Contudo, nessa atmosfera que se segue a uma epifânica sessão de amor, diverso, porque ela está acariciando uma imponderável felicidade.
Estou falando de uma coisa que os homens não experimentam assim.
O gozo masculino é mais pontual e parece se exaurir pouco depois do próprio ato.
Só os escolhidos, os de alma feminina, vez por outra, o sentem prolongar-se dentro de si.
Mas em geral, é diferente.
Terminado o ato, uns até rolam para o lado e dormem como se tivessem tirado um fardo do ombro, outros acendem o cigarro, vestem suas ansiedades e voltam ao trabalho.
É constatável, no entanto, que o homem apaixonado também transmite força, alegria, energia.
Ele oscila entre Alexandre o Grande e o artista que chegou ao sucesso.! Também brilha.
Mas é diferente.
E não é disto que estou falando, senão do gozo feminino que não se esgota no gozo e se derrama em gestos e atenções por horas e dias a fio.
Freud andou várias vezes errando sobre as mulheres e, por exemplo, colocou equivocadamente aquela questão de que a mulher teria inveja do homem por ser este um animal fálico.
Convenhamos: inveja têm (e deveriam ter) os homens quando prestam atenção no fenômeno que ocorre com as mulheres, que ao serem amadas atingem o luminoso êxtase de si mesmas, como se tivessem rompido uma escala de medição trivial para lá da barreira dos gemidos e amorosos alaridos.
É isso: quando a mulher foi amada e bem amada, ela ingressa nessa atmosfera sagrada, cuja descrição se aproxima daquilo que as santas extáticas descreveram.
Uma aura de mistérios as envolve.
E isso, por não ser muito trivial, por não ser nada profano, talvez se assemelhe aos mistérios gozosos de que muitos místicos falaram.Fonte: www.poemasecores.com
...é bem assim mesmo...vc...sempre...meu EU.


"Pode invadir
Ou chegar com delicadeza
Mas não tão devagar que me faça dormir
Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar
Acordo pela manhã com ótimo humor
Mas ... permita que eu escove os dentes primeiro
Toque muito em mim
Principalmente nos cabelos
E minta sobre minha nocauteante beleza
Tenho vida própria
Me faça sentir saudades
Conte algumas coisas que me façam rir
Viaje antes de me conhecer
Sofra antes de mim para reconhecer-me
Acredite nas verdades que digo
E também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa.
Respeite meu choro
Me deixe sozinha
Só volte quando eu chamar
E não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada
Então fique comigo quando eu chorar, combinado?
Seja mais forte que eu e menos altruísta!
Não se vista tão bem...
Gosto de camisa para fora da calça,
Gosto de braços
Gosto de pernas
E muito de pescoço.
Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, cheiros, olhos, mãos...
Leia, escolha seus próprios livros, releia-os.
Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos.
Seja um pouco caseiro e um pouco da vida
Não goste tanto de boate que isto é coisa de gente triste.
Não seja escravo da televisão, nem xiita contra.
Nem escravo meu
Nem filho meu
Nem meu pai.
Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.
Me enlouqueça uma vez por mês
Mas me faça uma louca boa
Uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ...
Goste de música e de sexo
Goste de um esporte não muito banal
Não invente de querer muitos filhos
Me carregar pra a missa, apresentar sua família... isso a gente vê depois ... se calhar ...
Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora
Quero ver você nervoso,inquieto
Olhe para outras mulheres
Tenha amigos que se tornem meus amigos e digam muitas bobagens juntos.
Me conte seus segredos ...
Me faça massagem nas costas.
Não fume
Beba
Chore
Eleja algumas contravenções.
Me rapte!
Se nada disso funcionar ...
Experimente me amar!”
Marta Medeiros
bjus..vc..
