





Mulher linda, alta, de cabelos escuros e olhos azuis, Olga nasceu em Munique, cidade alemã. Desde cedo participou de atividades comunistas e, graduada pelo KOMINTERN – a Terceira Internacional – recebeu a mais importante tarefa de sua vida: participar da realização de uma Revolução Comunista no Brasil.
No Brasil, já casada com Luís Carlos Prestes, líder do movimento que entrará para a história brasileira como “Intentona Comunista”, Olga foi fundamental para o andamento da revolução. Morando no Rio de Janeiro, através das inúmeras reuniões, conviveu com todos os integrantes da liderança do movimento no meio do qual nasceram grandes amizades.
Com o fracasso da revolução e a sua conseqüente prisão, Olga, grávida de sete meses, é entregue a Hitler por Vargas. Sendo deportada para a Alemanha e longe do Brasil, país que aprendeu a amar e respeitar, Olga Benario tem sua primeira e única filha, Anita Leocádia, uma alegria no meio de tanto sofrimento.
Em um campo de concentração da Alemanha nazista, Olga vivencia os últimos dias de sua vida. Morta por um gás letal, ela ainda vive, mas como uma importantíssima pessoa que deixou o seu valor na história do comunismo mundial e que fez do seu ideal de vida um sonho para vários povos de todo o mundo.
“Queridos:
Amanhã vou precisar de toda a minha força e de toda a minha vontade. Por isso, não posso pensar nas coisas que me torturam o coração, que são mais caras que a minha própria vida. E por isso me despeço de vocês agora. É totalmente impossível para mim imaginar, filha querida, que não voltarei a ver-te, que nunca mais voltarei a estreitar-te em meus braços ansiosos. Quisera poder pentear-te, fazer-te as tranças - ah, não, elas foram cortadas. Mas te fica melhor o cabelo solto, um pouco desalinhado. Antes de tudo, vou fazer-te forte. Deves andar de sandálias ou descalça, correr ao ar livre comigo. Sua avó, em princípio, não estará muito de acordo com isso, mas logo nos entenderemos muito bem. Deves respeitá-la e querê-la por toda a tua vida, como o teu pai e eu fazemos. Todas as manhãs faremos ginástica... Vês? Já volto a sonhar, como tantas noites, e esqueço que esta é a minha despedida. E agora, quando penso nisto de novo, a idéia de que nunca mais poderei estreitar teu corpinho cálido é para mim como a morte. Carlos, querido, amado meu: terei que renunciar para sempre a tudo de bom que me destes? Conformar-me-ia, mesmo se não pudesse ter-te muito próximo, que teus olhos mais uma vez me olhassem. E queria ver teu sorriso. Quero-os a ambos, tanto, tanto. E estou tão agradecida à vida, por ela haver me dado a ambos. Mas o que eu gostaria era de poder viver um dia feliz, os três juntos, como milhares de vezes imaginei. Será possível que nunca verei o quanto orgulhoso e feliz te sentes por nossa filha?
Querida Anita, Meu querido marido, meu garoto: choro debaixo das mantas para que ninguém me ouça pois parece que hoje as forças não conseguem alcançar-me para suportar algo tão terrível. É precisamente por isso que me esforço para despedir-me de vocês agora, para não ter que fazê-lo nas últimas e difíceis horas. Depois desta noite, quero viver para este futuro tão breve que me resta. De ti aprendi, querido, o quanto significa a força de vontade, especialmente se emana de fontes como as nossas. Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão porque se envergonhar de mim. Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue. Mas, no entanto, podem ainda acontecer tantas coisas... Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais forte amanhã. Beijos pela última vez.
Olga.”



Olga Benário Prestes e Luiz Carlos Prestes, meus pais
Por Anita Leocadia Prestes
"Tive o privilégio de ser filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário Prestes, duas pessoas extraordinárias, que deram suas vidas por uma causa nobre. Dois combatentes revolucionários que se dedicaram inteiramente à luta por justiça social, por liberdade, pelo socialismo e por um futuro melhor para a humanidade.
Olga, grávida de sete meses, foi deportada para a Alemanha nazista pelo governo Getúlio Vargas, em setembro de 1936. Companheira dedicada de Luiz Carlos Prestes, meu pai, a quem salvara a vida de ambos quando foram presos, pela polícia de Filinto Muller, em 54 de março daquele ano, no subúrbio carioca do Méier. na ocasião, ela se interpusera corajosamente entre os policiais e o marido, impedindo seu assassinato.
A deportação de Olga Benário Prestes e Elise Ewert – ambas militantes comunistas alemãs – foi um gesto de boa vontade de Vargas em relação a Hitler, expressando a aproximação então em curso entre os dois governos. Foi também vingança e castigo cruel impostos ao grande inimigo do regime varguista – Luiz Carlos Prestes, o “Cavaleiro da Esperança” para tantos brasileiros.
Olga e Elise viajaram ilegalmente, sem culpa formada, sem julgamento nem defesa. Na calada da noite foram embarcadas no navio cargueiro La Coruña, que partiu rumo a Hamburgo com ordens expressas de não parar em nenhum outro porto estrangeiro, pois havia precedentes de os portuários franceses e espanhóis resgatarem prisioneiros deportados para a Alemanha.
Minha mãe ficou presa incomunicável na prisão de mulheres Barminstrasse (Berlim), onde nasci, em novembro de 1936. Como resultado de importante e vigorosa campanha internacional pela libertação de Prestes e dos presos políticos no Brasil, assim como de Olga e de sua filha, fui entregue pela Gestapo à minha avó paterna – Leocadia Prestes – mulher valente e decidida, que encabeçava a campanha.
Quando me separaram de minha mãe contava com apenas 14 meses de idade. Não pude, portanto guardar nenhuma lembrança dela. Logo depois, Olga seria transferida para outra prisão, em condições muito piores, e mais tarde para o campo de concentração de Ravensbruck. Em abril de 1942, era assassinada numa câmara de gás no campo de Bernburg.
A tragédia que atingiu meus pais marcou minha vida. De que maneira? Poderia ter me tornado uma pessoa amargurada e decrescente da humanidade, convencida de sua maldade intrínseca. Ou poderia ter me levado a pensar que os homens, embora em sua maioria não sejam maus, facilmente se deixam arrastar pela maldade de alguns. sendo assim, não haveria por que acreditar no progresso da humanidade, não existiriam razões para qualquer otimismo em relação ao seu futuro.
Cresci e fui educada no seio de uma família comunista – a família de meu pai, que só pude conhecer em 1945, quando ele, após nove anos de prisão, num isolamento quase total, afinal foi libertado. Minha avó Leocadia, minha tia Lygia, que acabou sendo minha segunda mãe, meu próprio pai, minhas outras tias conduziram-me por outro caminho.
Desde a mais tenra idade, foi-me mostrado o exemplo de meus pais – dois revolucionários comunistas que passaram por indescritíveis sofrimentos em nome da causa maior, a causa da emancipação da humanidade da exploração do homem pelo homem. ou seja, nas palavras de Karl Marx, lutavam para que a humanidade ultrapassasse sua pré-história, ingressando na verdadeira história, fase em que seriam superadas as injustiças e desigualdades sociais, em que não mais existiria a alienação dos homens.
Desde cedo, aprendi com a vida de meus pais, com o exemplo de minha avó e, em especial com a martírio de Olga, que vale a pena lutar por um mundo melhor para toda a humanidade. Aprendi que não devemos compactuar a com a injustiça, que é necessário lutar contra ela e que, apesar de todas as dificuldades, das derrotas e sofrimentos, dos erros e dos fracassos, a humanidade caminha para a frente, e os homens encontram maneiras de aperfeiçoar seus modos de viver.
Hoje, na qualidade de historiadora que sou, entendo que esses ensinamentos recebidos na infância são verdadeiros: a história da humanidade nos mostra que o progresso é a tendência geral das sociedades humanas, embora se realize através de múltiplos e imprevisíveis retrocessos momentâneos, que por vezes podem lutar muito, levando em conta o quanto a vida humana é efêmera.
Em suas cartas enviadas do cárcere, meu pai revela a preocupação de que eu soubesse de que ele nem Olga se sentiam infelizes com a sorte que o destino lhes reservara. Pelo contrário, apesar dos sofrimentos, apesar da imensa tristeza de se encontrarem separados um do outro, longe da filha e dos que mais amavam, consideravam-se felizes por terem consciência do dever cumprido. E nisso, para eles, consistia a mais completa felicidade.
Da mesma forma, minha mãe, nas poucas cartas que conseguiu mandar do cativeiro, expressava o desejo de que eu fosse uma criança feliz e alegre, orgulhosa de meus pais se terem empenhado na luta por um mundo melhor, sem queixas nem arrependimentos. Seu sacrifício não era maior do que o de milhões de outros seres humanos que, naquele momento, enfrentavam os horrores da noite fascista que se abatera sobre a nossa civilização.
Havia, contudo, uma diferença importante. meus pais, distintamente de milhões de inocentes que sofriam e morriam sem conhecer as causas de tamanha desgraça, tinham consciência do fenômeno fascista e do seu perigo para a humanidade. Por isso, haviam lutado contra ele com todas as suas energias. derrotados, arcavam com as conseqüências de seu gesto. Mantinham-se, porém, confiantes de que o fascismo e sua variante alemã – o nazismo – seriam vencidos, como de fato se verificou, com a derrota dos países do eixo, no final da segunda guerra mundial.
Sua confiança decorria da profunda convicção científica que ambos haviam adquirido ao estudar o marxismo e ao travar conhecimento com a experiência pioneira de construção de uma sociedade socialista na União Soviética. A teoria marxista do socialismo científico lhes permitia compreender que o fascismo não podia ser explicado pela loucura de um homem ou pelas tradições autoritárias ou militaristas de algumas sociedades.
O fenômeno fascista expressava basicamente a crise que o sistema capitalista atravessava nos anos 30, representava a resposta do grande capital ao avanço do movimento operário em países como a Itália e a Alemanha.
A construção do socialismo na URSS lhes mostrava a superioridade desse sistema social em comparação o capitalista. Apesar de imensas dificuldades enfrentadas pelo povo soviético, sitiado pelas potências imperialistas, as grandes conquistas do socialismo já eram visíveis através da realização concreta dos direitos sociais alcançados pelos trabalhadores. Nenhum país capitalista fora capaz de resolver como em poucos anos fizera o primeiro país socialista.
Naqueles anos terríveis, quando o fascismo tomava conta da Europa e a guerra revelava toda a sua crueldade, poucos acreditavam na possibilidade de sua derrota. Posso orgulhar-me de que minha família – meus pais, minha avó Leocadia, minhas tias, conhecedora da fibra do povo soviético, jamais tenha duvidado de sua vitória no grande conflito que sacudiu o mundo.
Essa confiança, aliada à compreensão do caráter profundamente retrógrado do fascismo, que o condenava, portanto, ao desaparecimento, permitiram aos meus pais resistir, com firmeza e sem perder as esperanças, às terríveis provações a que foram submetidos durante aqueles anos tormentosos.
Segundo os testemunhos de companheiras do campo de concentração, Olga jamais se entregou ao desespero nem ao conformismo, lutou até o último momento de sua curta vida, infundindo coragem e confiança no futuro em todos aqueles que a rodeavam. Meu pai saiu da prisão para a luta; seu objetivo jamais foi a vingança, mas a conquista de um futuro melhor para o nosso povo e para a humanidade. Foi a esta causa generosa que ele dedicou o restante de sua vida"
fontes na net

Todas as rosas são a mesma rosa,
amor!, a única rosa;
e tudo está contido nela,
breve imagem do mundo,
amor!, a única rosa.
Juan Ramón Jiménez
beijos..meu Eu...

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Em 9 de janeiro de 1908, nasce, em Paris, no boulevard du Montparnasse 103, Simone-Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir.
Seu pai, Georges Bertrand de Beauvoir, acredita ainda pertencer à aristocracia francesa, mas, nesta época, a decadência já se faz sentir. Sua mãe, Françoise Brasseur, provinha de uma família da alta burguesia, porém à beira da ruína. Em virtude de um abastado passado comum, os pais de Simone a educarão com a firme idéia de que ela fazia parte de uma certa elite.
Sua única irmã, Hélène (apelidada de Poupette), nascerá dois anos mais tarde.
Em 1929Jean-Paul Sartre, também aluno da Sorbonne, impressionado com a beleza, inteligência e a voz rouca de Simone, envia-lhe, por intermédio de René Maheu, uma caricatura de Leibniz feita durante uma palestra, como forma de aproximação. Terminadas as provas escritas para a agrégation, Sartre, novamente usando Maheu como intermediário, convida Beauvoir a estudar em grupo para os exames orais. Ela aceita, e durante os próximos 15 dias separam-se apenas para dormir. Sartre é aprovado em 1º lugar na agrégation, Simone, com uma diferença de apenas 2 pontos, é a 2ª colocada — tornando-se a mais jovem agrégée da França.
Em setembro, Beauvoir deixa a casa dos pais em troca de um quarto alugado na casa da avó materna, na av. Denfert-Rochereau.
Ensina Latim num emprego temporário no Lycée Victor-Duruy.
Sartre e Simone estão apaixonados, entretanto, em vez de pedi-la em casamento, ele lhe propõe um pacto no qual monogamia e mentira não teriam lugar. Sartre acredita que antes de serem amantes, eles eram escritores, e como tal precisariam conhecer a fundo a alma humana, multiplicando suas experiências individuais e contando-as, um ao outro, nos mínimos detalhes. Entre Simone e Sartre o amor seria necessário, com as demais pessoas, seria contingente. Beauvoir aceita o pacto, pois ele está de acordo com suas próprias convicções
Depois de um longo periodo de suas vidas, intensamente vivido pelos dois, em 1958 A saúde de Sartre começa a deteriorar-se. Obstinado, ele trabalha excessivamente, sustentado por grande quantidade de remédios, a esse ritmo frenético soma-se o abuso do álcool. Preocupada, não suportando vê-lo se destruir, Simone começa a assumir o papel de enfermeira e guardiã, esforçando-se para que ele limitasse o uso de intoxicantes, em vão.
Em abril de 1971, Beauvoir assina o Manifesto das 343, admitindo, juntamente com outras mulheres, ter feito um aborto ilegal. Na verdade, muitas delas, incluindo Simone, nunca o haviam feito. As signatárias exigem o direito à contracepção gratuita e ao aborto legal seguro. Apesar do escândalo e críticas, o movimento obtém sucesso: em 1975 o aborto será legalizado na França.
Sartre começa a ter uma série de pequenas crises que vão se tornar cada vez mais intensas com o passar dos anos.
Em 1973, Sartre tem um novo derrame, e começa a ficar cego. Em janeiro de 1975, Simone recebe o Prêmio Jerusalém, concedido aos escritores que promoveram as liberdades individuais. Sartre, ao completar 70 anos, já está completamente cego, o que faz com que Beauvoir redobre seus cuidados em relação a ele.
Em 1977, com a saúde cada vez mais debilitada, Sartre é motivo de grande preocupação para Simone, que, junto com outras amigas e amantes dele, se revezam a fim de impedi-lo de continuar bebendo.
Em 1979, é publicada a primeira coletânea de contos escrita (entre 1935 e 1937) por Beauvoir, Quando o Espiritual Domina.
Senil e cada vez mais manipulado por Lévy, Sartre assina artigos que Simone considera uma dupla traição: a ele mesmo e a ela. A relação entre ambos torna-se tensa, e Simone sofre terrivelmente com a decrepitude de Sartre, dominado por Arlette e Benny.
Em meados de março de 1980, Sartre é internado no hospital. Jean-Paul Sartre morre no dia 15 de abril. Beauvoir cai numa profunda depressão, e desenvolve uma nova pneumonia, da qual jamais se recuperará totalmente.
Simone adota legalmente Sylvie Le Bon como sua única herdeira e executora literária. Começa a escrever A Cerimônia do Adeus.
Depois da morte de Sartre, a saúde física e mental de Simone havia começado a se deteriorar, sobretudo por causa de sua dependência do álcool e de anfetaminas.
Beauvoir dá entrada no hospital Cochin, em março de 1986, com dores de estômago supostamente devidas a uma apendicite. Um edema pulmonar é diagnosticado. A cirurgia revela que seu fígado estava debilitado. Depois da operação, Simone contrai pneumonia e permanece num serviço de reanimação. Beauvoir precisa voltar à reanimação, onde seu estado se agrava subitamente. Ela morre na tarde de 14 de abril de 1986, aos 78 anos. Curiosamente, as causas de sua morte são praticamente as mesmas da de Sartre, falecido 6 anos antes, em 15 de abril de 1980.
Em 19 de abril Simone é sepultada no cemitério de Montparnasse, após uma cerimônia que reuniu cinco mil pessoas — que seguiram a pé o cortejo fúnebre até o túmulo de Sartre. Conforme havia desejado, ela é enterrada com o anel (de “noivado”) de Algren em seu dedo. O caixão desce à tumba que Simone partilhará com Sartre. Lanzmann lê um texto de Beauvoir. Um rumor de frustração se eleva da multidão, na maioria composta por feministas, muitas vindas do exterior, um rumor feito de cólera porque é um homem que lê suas últimas palavras, e de frustração porque a maior parte delas havia ficado do lado de fora do cemitério. Ordens haviam sido dadas para que se fechassem os portões cedo demais (talvez em razão dos esbarrões dos fotógrafos de jornal, que haviam quebrado túmulos e empurrado Beauvoir numa cova por ocasião do sepultamento de Sartre).
Jacques Chirac, então prefeito de Paris, lê um curto texto dizendo que a morte de Beauvoir assinalava o fim de uma época em que a literatura engajada havia marcado a sociedade.
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incompreensivelmente
O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
Miguel Esteves Cardoso, in Elogio ao Amor
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Outro tipo de mulher nua
Talvez a verdadeira excitação esteja, hoje, em ver uma mulher se despir de verdade - emocionalmente. Nudez pode ter um significado diferente. Muito mais intenso é assistir a uma mulher desabotoar suas fantasias, suas dores, sua história.
É erótico ver uma mulher que sorri, que chora, que vacila, que fica linda sendo sincera, que fica uma delícia sendo divertida, que deixa qualquer um maluco sendo inteligente. Uma mulher que diz o que pensa, o que sente e o que pretende, sem meias-verdades, sem esconder seus pequenos defeitos - aliás, deveríamos nos orgulhar de nossas falhas, é o que nos torna humanas, e não bonecas de porcelana. Arrebatador é assistir ao desnudamento de uma mulher em quem sempre se poderá confiar, mesmo que vire ex, mesmo que saiba demais.
Não é fácil tirar a roupa e ficar pendurada numa banca de jornal mas, difícil por difícil, também é complicado abrir mão de pudores verbais, expôr nossos segredos e insanidades, revelar nosso interior. Mas é o que devemos continuar fazendo. Despir nossa alma e mostrar pra valer quem somos, o que trazemos por dentro.
Não conheço strip-tease mais sedutor.
Martha Medeiros

Grandes e pequenas mulheres
Há mulheres de todos os gêneros. Histéricas, batalhadoras, frescas, profissionais, chatas, inteligentes, gostosas, parasitas, sensacionais. Mulheres de origens diversas, de idades várias, mulheres de posses ou de grana curta. Mulheres de tudo quanto é jeito. Mas se eu fosse homem prestaria atenção apenas num quesito: se a mulher é do tipo que puxa pra cima ou se é do tipo que empurra pra baixo.
Dizem que por trás de todo grande homem existe uma grande mulher. Meia-verdade. Ele pode ser grande estando sozinho também. Mas com uma mulher xarope ele não vai chegar a lugar algum.
Mulher que puxa pra cima é mulher que aposta nas decisões do cara, que não fica telefonando pro escritório toda hora, que tem a profissão dela, que o apóia quando ele diz que vai pedir demissão por questões éticas e que confia que vai dar tudo certo.
Mulher que empurra pra baixo é a que põe minhoca na cabeça dele sobre os seus colegas, a que tem acessos de carência bem na hora que ele tem que entrar numa reunião, a que não avaliza nenhuma mudança que ele propõe, a que quer manter tudo como está.
Mulher que puxa pra cima é a que dá uns toques na hora de ele se vestir, a que não perturba com questões menores, a que incentiva o marido a procurar os amigos, a que separa matérias de revista que possam interessá-lo, a que indica livros, a que faz amor com vontade.
Mulher que empurra pra baixo é a que reclama do salário dele, a que não acredita que ele tenha taco pra assumir uma promoção, a que acha que viajar é despesa e não investimento, a que tem ciúmes da secretária.
Mulher que puxa pra cima é a que dá conselhos e não palpite, a que acompanha nas festas e nas roubadas, a que tem bom humor.
Mulher que empurra pra baixo é a que debocha dos defeitos dele em rodinhas de amigos e que não acredita que ele vá mais longe do que já foi.
Se por trás de todo grande homem existe uma grande mulher, então vale o inverso também: por trás de um pequeno homem talvez exista uma mulherzinha de nada.
Martha Medeiros


Leia..meu Eu..bju...bju bju...
"Eu triste sou calada
Eu brava sou estúpida
Eu lúcida sou chata
Eu gata sou esperta
Eu cega sou vidente
Eu carente sou insana
Eu malandra sou fresca
Eu seca sou vazia
Eu fria sou distante
Eu quente sou oleosa
Eu prosa sou tantas
Eu santa sou gelada
Eu salgada sou crua
Eu pura sou tentada
Eu sentada sou alta
Eu jovem sou donzela
Eu bela sou fútil
Eu útil sou boa
Eu à toa sou tua."
Martha Medeiros

Amar...


John Nash e Alicia Larde
O matemático John Nash, aos 21 anos de idade, formulou um teorema que provou sua genialidade. Nove anos depois, ele foi diagnosticado como esquizofrênico, mesmo assim, ganhou o Prêmio Nobel.
Alicia foi aluna de Nash e se apaixonou pela genialidade e mistérios que envolvia a vida do professor.
Durante o namoro e casamento, o casal enfrentou diversos problemas devido aos distúrbios psicológicos de Nash, seus delírios, alucinações e efeitos causados pelos remédios.
Mesmo com todas as dificuldades, Alicia teve um filho e conseguiu ajudar o marido a superar todos os problemas para continuar trabalhando e pesquisando. Nash conseguiu superar os efeitos causados pela doença e ajudou a cuidar da família.
A história de Nash deu origem ao filme “Uma mente brilhante” (A Beautifull Mind).

Chopin e George Sand (pseudônimo)
Fréderick François Chopin, músico e compositor polonês, viveu durante nove anos com a escritora e feminista francesa George Sand. Um romance um tanto tumultuado, pois possuíam personalidades opostas. Ele, era sonhador, introspecto, frágil e delicado, enquanto ela era impulsiva, ativista e gostava de se vestir com trajes masculinos.
Ela, porém, além de sua companheira, foi uma grande incentivadora de seu trabalho, apoiando-o e ajudando-o em muitos momentos em que ele se encontrava em dificuldades.
Ele a admirava por sua personalidade forte e força de espírito. Eram cúmplices em tudo e esse amor foi tão forte que, quando, de uma crise mais séria do casal, deu-se a separação, Chopin, já debilitado pela tuberculose, deixou-se morrer, desgostoso.

Shah Jahan e Mumtaz Mahal (origem do palácio Taj Mahal)
O príncipe persa Shah Jahan era muito poderoso e namorador. Ele tinha um harém: mais de trezentas moças à disposição. A cada noite ele escolhia uma mulher diferente para namorar.
Certo dia, quando estava com 21 anos, ele conheceu e se apaixonou por uma das jovens do harém, chamada Arjumand Begum. Depois disso, nenhuma das outras moças parecia fazê-lo feliz. O príncipe não queria mais ninguém, somente Arjumand.
Shah Jahan e a bela moça se casaram em 1612, época em que o imperador a rebatizou de Mumtaz Mahal (A eleita do palácio). O casal teve 13 filhos, mas quando o 14º filho nasceu, ela não suportou as dores do parto e morreu.
O príncipe se desesperou e quase morreu também, de tristeza e desgosto.
Para abrigar o corpo de sua amada, ele decidiu construir um palácio. Ele convidou os maiores artistas e arquitetos dos impérios persa e mongol, encomendou mármore fino e branco das pedreiras locais, jade e cristal da China, turquesa do Tibet, lápis lazulis do Afeganistão, ágatas do Yemen, safiras do Ceilão, ametistas da Pérsia, corais da Arábia Saudita, quartzo dos Himalaias e âmbar do Oceano Índico.
Surge assim o Taj Mahal, construído entre 1631 e 1648, sendo que “Taj” significa coroa e “Mahal” significa lugar.
Posteriormente, o imperador foi sepultado ao lado de sua esposa, sendo esta a única quebra na perfeita simetria de todo o complexo do Taj Mahal.
Após quase quatro séculos, milhões de visitantes continuam a visitar o mausoléu localizado em Agra, na Índia. As pessoas continuam a reter a aura romântica do lugar e a admirar a maior prova material de um amor verdadeiro.
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Adivinha o quanto gosto de ti
Já pensei dar-te uma flor,
Com um bilhete, mas nem sei o que escrever,
Sinto as pernas a tremer quando sorris para mim,
Quando deixo de te ver...
Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto,
E é tão bom viver assim...
Ando a ver se me decido,
Como te vou dizer,
Como hei de te contar,
Até já fiz um avião com um papel azul,
Mas voou da minha mão...
Vem jogar comigo um jogo, eu por ti e tu por mim.
Fecha os olhos e adivinha, quanto é que eu gosto de ti.
Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto,
E é tão bom viver assim...
Quantas vezes parei à tua porta?
Quantas vezes nem olhaste para mim?
Quantas vezes eu pedi que adivinhasses,
Quanto é que eu gosto de ti?
Gosto de ti desde aqui até à lua,
Gosto de ti, desde a Lua até aqui.
Gosto de ti, simplesmente porque gosto,
E é tão bom viver assim...(AS)

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Inês de Castro
Rei D. Pedro I
Foi no ano de 1360, que os reis de Portugal e Castela (agora Espanha) fizeram um acordo que iria ter repercussões a nível da sua popularidade junto aos seus súbditos nos dois países.
Em Portugal reinava D. Pedro I, e em Castela também o rei tinha o mesmo nome e eram primos os dois reis, quando resolveram infringir as promessas feitas e proceder á troca de criminosos que se tinham refugiado nos seus respectivos países em fuga á justiça do país vizinho.
Dirão certamente que era justo, e ninguém pode afirmar o contrário, apenas D. Pedro I de Portugal tinha prometido ao seu pai D. Afonso IV, falecido há três anos, que não se vingaria e tinha perdoado aos assassinos de Inês de Castro.
Mas a ferida não se tinha fechado no seu peito, nem tal seria alguma vez possível, sabemos agora, que nem em vida e nem depois da morte de ambos.
Assim, naquele dia no seu paço real em Santarém, que desde o tempo de seu pai, era a capital do reino, esperava impaciente notícias da embaixada que se tinha deslocado até á fronteira do país vizinho para proceder á troca dos fidalgos espanhóis que tinha acolhido e que agora entregava á justiça de seu primo, em troca dos responsáveis apontados como os assassinos da mãe de seus filhinhos, agora órfãos.
O paço real tinha sido edificado junto á porta de Leiria, por onde se entrava na capital, chegando do norte do país, dos territórios outrora conquistados por seus avós, e dessa linda cidade de Coimbra, onde repousava a sua amada amortalhada, e as lágrimas choradas tingidas de sangue tinham originado nascentes cujo leito seria para sempre rubro como o sangue derramado de uma inocente amante.
Saudade, essa palavra que desde esse dia 7 de Janeiro de há cinco anos, tinha um significado pungente de raiva, amargura e eterna dor no seu peito, uma solidão, um vazio que nunca seria preenchido até ao dia do Juízo Final e que para sempre iria exprimir o sentimento de todo um povo.
I Capítulo – A aia da rainha
D. Inês de Castro
Tinha sido há vinte anos atrás, quando a pobre rainha D. Constança tinha chegado ao reino, em resultado de acordos reais, destinada a ser a sua esposa e a mãe do príncipe herdeiro do trono de Portugal, que tinha cruzado pela primeira vez o seu negro olhar com aquele outro verde e luminoso que sem temor sustentou o seu.
Era o dia do seu casamento e ao subir as escadarias da Sé Real, ao encontro da sua noiva que sem vontade iria desposar para cumprir a vontade do seu severo pai, o Rei D. Afonso IV, a sua vista foi atraída pela bela aia de sua noiva, de cabelos louros que lhe caíam graciosamente em cachos derramados pela altiva cabeça e emolduravam o esbelto pescoço, que sobressaía de um busto donairoso a que o corpete de alvo linho modelava em formas expressivas.
O seu nome era Inês de Castro e era filha bastarda de um nobre fidalgo espanhol e de uma senhora portuguesa com quem o senhor tinha tido um caso amoroso.
Quando a bela donzela ousou levantar o olhar curioso para olhar o príncipe português, um luminoso raio esmeralda desfechado em direcção certeira ao coração compungido de amores contrariados, do impetuoso príncipe, não passou despercebido aos fidalgos e curiosos reunidos e logo vozes sussurradas se ouviram agourando desgraça.
Efectivamente de regresso á corte reunida em Coimbra, a bela cidade residência real desde os tempos de D. Afonso Henriques, os murmúrios não se calaram, antes os apaixonados os alimentaram com os seus comportamentos que mesmo conhecedores da impossibilidade daquele amor, não faziam questão de esconder.
Vivendo no mesmo palácio, ocasiões não faltavam para se encontrarem, e os passeios pelas verdejantes e bucólicas margens do Mondego, eram constantes, e mesmo sabendo da impossibilidade daquele amor, pois que além do príncipe ser casado, eram os dois primos, parentesco que naqueles tempos impossibilitava uma relação mais íntima, considerada incestuosa e contrária ás leis da Igreja, em breve era conhecida de todos no paço e alastrando pelas vilas e aldeias do reino, que D. Pedro e D. Inês de Castro, mantinham uma relação de amantes, imoral e ilícita.

Casamento Secreto
Enquanto os dois apaixonados viviam o seu amor indiferentes a tudo, a pobre rainha legítima esposa, D. Constança, deu á luz o seu primeiro filho a quem chamarão D. Fernando, e que irá herdar o trono.
Aconselhada pelas suas damas, resolveu convidar para madrinha, D. Inês de Castro, que além de dos factos já explanados, ficaria assim com mais um laço de parentesco que naqueles tempos, reforçava a proibição, próxima do incesto, daqueles laços de amor entre os dois amantes.
Ao ouvidos do velho Rei D. Afonso IV, também já tinham chegado os rumores daquele amor proibido e a solução encontrada, foi desterrar a apetecida amante do príncipe para o lado de lá da fronteira espanhola, no castelo de Albuquerque, junto á raia alentejana, longe do seu amor, para assim promover o esquecimento daquele afecto escandaloso.
No entanto, continuaram a trocar correspondência sendo as cartas transportadas pelos almocreves, os negociantes daqueles tempos que iam de terra em terra, vendendo azeite e outros produtos da lavoura e eram os correios secretos, para o Rei não ter conhecimento que as suas ordens não eram inteiramente cumpridas.
Entretanto a rainha definhava com falta de amor, e preocupações crescentes, enquanto o príncipe se ausentava nas suas caçadas pelos montes e promovia touradas junto ao mar em Peniche, para matar o vazio sentido pela ausência de quem amava mais que a si mesmo.
Até que ao dar á luz o seu terceiro filho, no ano de 1354, a pobre rainha enfraquecida pelos desgostos, morre, deixando livre o caminho para uma vida em comum aos dois amantes, pelo que o príncipe sem hesitar, de imediato manda vir a sua amada para junto de si, enquanto o seu pai, fica na corte em Lisboa e o seu filho herdeiro é criado fraco e débil junto aos avós.
Primeiro em Moledo, em seguida noutros locais, depois fixando residência no paço da Quinta de Santa Clara em Coimbra, os dois amantes gozam do seu amor intenso e da sua felicidade descuidada, sem pensarem que o seu amor teria um preço demasiado alto a pagar em troca de tanta felicidade e paixão que já é abençoada com a presença dos seus três filhinhos, D. Afonso, D. Dinis e D. Beatriz, que nasceram sãos e perfeitos, ao contrário do débil príncipe herdeiro D. Fernando.
Julgamento de D. Inês
Assim, vão vivendo, indiferentes á opinião do rei e dos seus conselheiros, que vêm em D. Inês de Castro uma ameaça cada vez maior á independência do reino, devido á crescente influência da sua família junto a D. Pedro, já que seus irmãos eram fortes candidatos á coroa do país vizinho e tentavam influenciar o príncipe a juntar-se a eles na luta, que se fosse funesta aos seus interesses, podia arrastar o país para um guerra desastrosa e até para a perda da sua soberania.
Acresce o facto do príncipe D. Fernando, poder ser mandado assassinar para dar lugar aos filhos escorreitos e saudáveis de Inês, como os avisados conselheiros anteviam, com ou sem razão.
Então convencido pelos seus conselheiros, o velho Rei deixou-se persuadir que a única culpada de tudo era D. Inês e que a solução seria eliminá-la pela morte, apagando assim a sua influência junto ao príncipe.
Naquela triste manhã de 7 de Janeiro de 1355, estando D. Pedro ausente nas suas caçadas, o Rei D. Afonso IV e Pedro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco dirigiram-se a Coimbra e sem se deixarem comover pelo súplicas da pobrezinha que rodeada pelos seus filhinhos, pedia clemência, se não para ela, pelo menos para não deixar seus infantes órfãos, executaram a cruel sentença, da aplicação da qual no entanto, o Rei já hesitava, mas não teve forças para mudar o curso do destino.
Os conselheiros temendo a fúria de D. Pedro fugiram para Espanha e o príncipe louco de dor, revoltou-se contra o pai e acompanhado pelos irmãos de D. Inês, cercou a cidade do Porto onde este se encontrava, com o seu exército, jurando vingança contra o seu progenitor.
Valeu a intervenção da sua mãe a rainha, para promover a paz e o perdão entre os dois, mas apenas na aparência o pobre príncipe se aquietou, pois que dois anos depois quando sucedeu a seu pai no trono, por morte deste, logo começou a congeminar os planos da vingança que tinha arquitectado em longas noites insones, de lágrimas e negro desespero que moldaram o seu carácter de jovem apaixonado e justo, em um rei cruel que aplicava a justiça aos seus súbditos como se todos fossem culpados da dor que lhe dilacerava o peito, como consta nas crónicas daquele tempo e que chegaram aos nossos dias, para relataram as lutas e vinganças do pobre príncipe louco e desesperado.
IV Capítulo – A vingança do Rei
Morte de D. Inês
Assim quando no início do ano de 1361 chegaram finalmente a Santarém, dois dos assassinos da sua sempre chorada amante, Pedro Coelho e Álvaro Gonçalves, já que o terceiro avisado por um mendigo que seria procurado ao voltar a casa na cidade espanhola onde vivia, fugiu para França disfarçado de mendigo e assim escapou á sentença de morte contra si jurada por D. Pedro, El-Rei saiu ao encontro da comitiva que trazia sob prisão os dois odiados conselheiros.
Consta que um deles, Pedro Coelho teria sido até seu professor e aio de criação, pelo que os laços que os uniam eram fortes e íntimos, o que talvez apenas servisse para refinar mais a mágoa e o ódio ilimitado do agora Rei D. Pedro.
Começou por os interrogar sobre os motivos da morte de Inês, mas como nada conseguisse saber, além daquilo que era já por demais conhecido, sobre as razões patrióticas invocadas, teria pedido ao seu cozinheiro:
- Trazei-me azeite, cebola e vinagre que vou comer este coelho!
Então ordenou a sua morte, mas com tal crueldade que a um mandou que lhe fosse retirado o coração pelas costas e a outro pelo peito, pois que a pessoas sem coração como eles de nada lhes servia!
Em seguida mandou o seu cozinheiro preparar e servir-lhe os corações e levou a dor ao extremo de os trincar num acesso de raiva e dor sem limites pela perda da sua amada Inês!
Depois mandou queimar os cadáveres e ainda lançou uma maldição sobre a terra natal de Pedro Coelho que mandou salgar, para ficar para sempre estéril!
Estes acontecimentos tiveram lugar em Santarém, no paço real onde mais tarde sobre as suas ruínas, foi construído um convento e Igreja que ainda existem e que serviram para Colégio, ou Seminário de formação de padres, pelo que hoje se chama a Igreja do Seminário bem como o largo em frente, e alguns vestígios do antigo paço real ainda se conservam no seu interior, nomeadamente o postigo em pedra, da sacada onde recostado D. Pedro teria assistido ao macabro espectáculo.

Túmulo de D.Inês
Seguidamente D. Pedro apresentou testemunhas de que teria casado secretamente com D. Inês que assim seria sua esposa legítima, assim como os seus filhos legalizados por tal união teriam os mesmos direitos dos outros filhos nascidos do casamento com D. Constança.
Mandou construir um magnífico túmulo em fina pedra lavrada que foi colocado no Mosteiro de Alcobaça, mandado erigir pelo seu antepassado D. Afonso Henriques em cumprimento de uma promessa sobre a reconquista de Santarém aos mouros, e ordenou que D. Inês fosse retirada da sua campa, e coroada rainha e perante toda a corte reunida, obrigou a que todos lhe prestassem vassalagem beijando-lhe a mão, e reconhecendo-a legítima rainha de Portugal.
Um impressionante cortejo fúnebre se formou e acompanhou-a ao longo de vilas e aldeias até ao Mosteiro de Alcobaça, onde foi finalmente sepultada aquela que depois de morta foi rainha, como a descreveu Camões nos imortais Lusíadas.
Sete anos mais tarde, D. Pedro juntou-se á sua amada, quando da sua morte, tendo sido sepultado no outro túmulo que para si havia também mandado talhar e que ficou de frente para o de Inês, para que segundo suas ordens, quando ressuscitassem no dia do Juízo Final, ao erguerem-se pudessem de imediato ver-se.
Nos dez anos do seu reinado, D. Pedro não voltou a casar, sofria de insónias terríveis que tentava colmatar com festas nocturnas pelas ruas de Lisboa, acompanhado do povo de quem era querido e amado.
Um dos seus maiores prazeres era fazer aplicar a justiça, fosse quem fosse o faltoso, de ninguém tinha misericórdia, tal como não tinham tido com a sua Inês, por isso ficou conhecido como D. Pedro I, o Justiceiro ou Cru.
Arlete Piedade
Santarém - Portugal
16/09/2006



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Hilda Hilst
05/02/09
Há cinco anos, a literatura brasileira perdia uma de suas vozes mais emblemáticas
Wilker Sousa

- Que azar! Essas foram as palavras do poeta Apolonio Prado Hilst ao constatar que sua mulher Bedecilda Cardoso dera luz a uma menina. Tempos depois, o casal se separa. Mãe e filha mudam-se para São Paulo e Apolonio, então com 35 anos, é internado em um sanatório na região de Campinas, vítima de esquizofrenia. Aquelas palavras do pai motivariam a jovem Hilda a dissuadi-lo. "Meu pai foi a razão de eu ter me tornado escritora. Eu tentei fazer uma obra muito boa para que ele pudesse ter orgulho de mim", declarou certa vez a poeta. Pena Apolonio não ter lido os primeiros versos da filha. A loucura o havia consumido.

Hilda Hilst, em seu apartamento da Alameda
Santos, em São Paulo, na década de 1950
Hilda Hilst estreou na poesia em 1950, com a reunião de poemas intitulada Presságio. Seus versos despertaram a admiração de Cecília Meireles. Eram tempos do curso de Direito no Largo São Francisco. Ao lado da amiga Lygia Fagundes Telles, a bela Hilda frequentava as principais festas da alta sociedade paulistana e despertava paixões. Vinícius de Moraes e o ator norte-americano Dean Martin foram seus amantes. O último, Hilda conhecera em viagem à Europa, em 1957.
Nos anos seguintes, novos livros foram publicados, até que em 1963, após ler Carta a el Greco, do escritor grego Nikos Kazantzaquis, Hilda Hilst decidiu abandonar o cotidiano da alta sociedade para dedicar-se exclusivamente à literatura. "Eu tinha que ser só, para compreender tudo, para desaprender e compreender outra vez. Minha vida era muito fácil, uma vida só de alegrias, de amantes", afirmou. Um dos princípios suscitados pela obra era o isolamento do mundo como forma de alcançar o verdadeiro conhecimento humano. Em um ato que mais tarde chamaria de "conversão", a poeta mudou-se para a Fazenda São José, em Campinas, propriedade de sua mãe. Três anos mais tarde, seria construída no local a Casa do Sol. Na companhia de amigos e dezenas de cães, Hilda viveria na casa até sua morte. Além de poesia, a autora passa a escrever prosa ficcional e teatro, ambos com alto teor poético. "Toda a minha ficção é poesia", afirmou. Hilda apontava Samuel Beckett e James Joyce como suas principais influências nesses gêneros.
Em 40 anos de produção literária, Hilda Hilst conquistou prêmios e teve a obra traduzida em países como França, Alemanha e Itália. Sua relação com a crítica foi instável ao longo dos anos. Bem quista inicialmente, sua obra recebeu duras críticas, especialmente na fase dedicada ao erotismo, em meados dos anos 1980. Pouco lida e em difícil condição financeira, a autora decidiu fazer versos que agradassem o grande público e consequentemente, vendessem mais. Não foi o que aconteceu. As vendas foram escassas e as críticas, severas. Porém, o conjunto de sua obra foi reconhecido ainda em vida. Os diversos prêmios conquistados, entre eles o Jabuti e o APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), atestam a importância de sua produção literária.
Tudo já estava dito em seus mais de 30 livros. Era chegado o momento de aceitar o silêncio. Nos últimos anos de vida, Hilda deixou de escrever. "Dever cumprido", afirmava. Estava conclusa a obra daquela que desejava levar adiante a poesia que o pai, impossibilitado pela loucura, não conseguira. Após o hiato literário, o adeus à Casa do Sol. A poeta, que tematizou Deus, a morte e a transcendência, partiu na madrugada do dia 4 de fevereiro de 2004. "Não sei se vou encontrar o papai. Eu queria tanto ficar com ele... ele era lindo."

Em sua mesa de trabalho, retratos de James Joyce (esq.) e seu pai, Apolonio Hilst (dir.)
A dramaturga
As oito peças que compõem a obra teatral de Hilda Hilst, três delas inéditas em livro, foram recentemente compiladas e publicadas pela Editora Globo. Com organização de Alcir Pécora, o volume conta ainda com posfácio da poeta e dramaturga Renata Pallottini.
Todas as peças foram escritas entre 1967 e 1969, período em que o teatro assumia uma forte conotação política, dado o contexto da ditadura militar. O tema central do teatro hilstiano é a dominação, geralmente exercida por uma instituição que se impõe por meio da força. Porém, diferentemente do que predominava na dramaturgia da época, as peças de Hilda Hilst não exaltam o populismo, nem a coletividade. Seus heróis são seres de exceção, responsáveis por criar as melhores hipóteses políticas, ante o conformismo e apatia da maioria.

Leia a seguir trechos de entrevista com a escritora Hilda Hilst à Folha
CASSIANO ELEK MACHADO
da Folha de S.Paulo
Folha - O comediante norte-americano Groucho Marx dizia que não gostaria de frequentar nenhum clube que o aceitasse como sócio. Como você se sente "frequentando", com a reedição de sua obra pela Globo, um grande clube?
Hilda Hilst - Você sabe que quando vem tão tarde como veio, a gente não sente muita alegria mais. Se fosse aos 30 anos, quando eu era linda, aí eu podia entender, mas quando você já está velha, com 70 anos, fica tudo muito sem graça. Mas, ainda assim, devo dizer que fiquei surpresa. Eu nunca achei que iam me ler mesmo. Não sei por quê. Tinha alguma coisa grave que eu não podia explicar. Eu achava que eu escrevia de modo simples e que era um absurdo não me entenderem.
Folha - Foi por isso que você começou a escrever, nos anos 90, as obras "pornográficas", tidas como mais fáceis?
Hilst - Achei que seria gostoso se as pessoas rissem, porque nunca riam de mim. E foi delicioso. Diziam que eu era difícil. Fizeram até teses dificílimas sobre mim. Esta semana mesmo veio aqui uma moça e disse: "Puxa, a Hilda Hilst mora aqui? Na Unicamp, ela é considerada uma deusa".
Podem achar que sou deusa, mas nunca ganhei nem grana, nem título de notório saber, como uma amiga minha. A única coisa que ganhei na vida foram várias tartarugas (estátua do Prêmio Jabuti). Queria mesmo era o Nobel.
Folha - Muitos artistas e escritores têm pudor em falar bem de seus próprios trabalhos, mas você sempre exaltou a sua obra. Por quê?
Hilst - Sempre me achei impressionante. Tudo o que eu escrevo é bom demais. Não sei por que dizem que não entendem nada.
Folha - Você relê seus livros?
Hilst - Ultimamente tenho relido algumas coisas, principalmente por causa das reedições.
Folha - Você se arrepende de algo que escreveu? Você pediu para que alguma de suas obras ficasse de fora de suas "Obras Completas"?
Hilst - Não, não tenho nenhum texto renegado. Gosto de tudo.
Folha - E qual o que você tem mais prazer em reler?
Hilst - Gosto tanto de quase todos que é difícil escolher um particular, mas eu acho que talvez eu diria o "Qadós". Parece que todo mundo achou esse livro chato. O brasileiro não lê nada, picas.
Folha - Por isso que você parou de escrever, como vem declarando?
Hilst - Na verdade até escrevo, mas eu acho que são coisas muito complicadas. Estou fazendo um livro que deve chamar "O Koisa". "O Koisa" é exatamente o caroço de azeitona que está na empada. Ninguém sabe o que falar sobre um caroço de azeitona.
Eu escrevo: "Entrei dentro da empada/ à meia-noite, e, em seguida/caguei o grãozinho negro/ dentro da privada de âmbar/ comecei a cantar o canto chulo de amoras negras/ mas belo, coloquial e absurdo/como é a vida".
Folha - "O Koisa" vai ser um romance? Eu vi uma entrevista sua em que você dizia que ficava muito chateada de nunca ter feito um romance tradicional: começo, meio e fim. Você ainda se arrepende?
Hilst - Eu não consigo. Eu assistia muito às novelas na TV por causa disso, eu tento ler coisas mais simplificadas, para ver se aprendo a ser simples, mas eu nunca consegui. Em "O Koisa" eu tentei, mas ele é tão complicado que quase ninguém vai entender.
Folha - Hilda vou te fazer uma pergunta difícil.
Hilst - Difícil eu gosto.
Folha - Eu queria saber se tem algum elemento comum que você enxergue em toda sua obra, seja nas poesias, no teatro, na prosa.
Hilst - A loucura. A tentativa de fazer uma coisa louca e boa. Eu tenho muito a ver com tudo isso, porque eu acho que o meu pai, que era louco, era deslumbrante. Ele era um gênio. Em 1920, por exemplo, dizia que o casamento é uma imoralidade porque faz do que nós temos de mais puro, o amor, uma coisa legal, isto é, pública e indecente. Ele publicou isso nos jornais de Jaú (SP).
Acho que ele ficou louco pela sua genialidade. Louco varrido. Teve uma vida terrível. Passou em montanhas de manicômios.
Folha - Você teme a loucura?
Hilst - Tive muito medo, eu nunca quis ter filhos por causa disso. Medo de que meu filho fosse esquizofrênico, como meu pai. Ainda tenho medo de ficar louca.
Folha - Mas dizem que as pessoas que têm medo de ficar loucas geralmente não ficam, não é?
Hilst - Graças a Deus.
Folha - Você fala sempre em Deus, mas também em imortalidade. Nos anos 70, você diz que gravou a voz de mortos.
Hilst - Imortalidade é minha maior crença. Já vi muitas pessoas que morreram. Outra vez eu vi meu pai. Cada coisa que eu tenho para contar. Mas não vou falar mais que pode fazer mal.
Folha - E por outra imortalidade, a da Academia Brasileira de Letras? O escritor Sérgio Sant'Anna disse que, se pudesse indicar alguém para a ABL, seria você, para "animar, erotizar e espiritualizar as sessões" Você aceitaria o convite?
Hilst - Não. Não sou ligada a essas coisas de Academia. Eu não tenho a menor vontade. Além disso, às vezes penso que posso um dia ser conhecida mais no mundo do que aqui, apesar de que para escritor brasileiro isso é difícil. Nem o Jorge Amado ganhou o Prêmio Nobel. Só aquele português, o Saramago, por quem não fico nada entusiasmada.
Folha - Quem te entusiasma?
Hilst - Os ensaios do George Bataille e o Guimarães Rosa.
Folha - Você considera Rosa o seu "duplo", como já disseram?
Hilst - Não sei, mas posso dizer que ele era muito meu amigo. Eu dizia a ele: Guimarães, você é ótimo, é lindo, mas você nunca vai ser traduzido porque você escreve cada coisa. Ele respondia: Acredite, eu vou ser, Hilda. E logo começaram a traduzir "Grande Sertão: Veredas" para tudo que é língua. E a tradutora do "Grande Sertão", Maryvonne Lapouge, acabou sendo minha tradutora para o francês, veja só. Incrível.
Folha - Falando em coisas "incríveis", quando você começou a juntar tantos cachorros em sua casa?
Hilst - Eu sinto muita compaixão dos cachorros pelo fato de eles não conseguirem se expressar. Eu moro na mesma casa há 35 anos. Sempre jogaram cachorros abandonados aqui. Eu ficava com pena e pegava. Acho que é o problema que eu tenho, o fato de eu mesma ter sido, por meu pai ter ficado louco, abandonada.
Folha - Você...
Hilst - Chega. Boa noite, ouviu? Tchau. Cansei.

Foi por iniciativa de Hilda Hilst (1930 -2004) que Zeca Baleiro se tornou parceiro da poeta paulista. Ao receber uma cópia do primeiro disco do compositor maranhense, Por Onde Andará Stephen Fry? (1997), enviada pelo próprio artista, Hilst ligou, propôs a parceria e mandou um disquete com sua obra poética.Foi no disquete que Baleiro descobriu o livro Júbilo Memória Noviciado da Paixão - escrito pela Hilda quando estava apaixonada platonicamente pelo Júlio de Mesquita Neto (vide as iniciais) - e decidiu musicar os versos do capítulo que dá título ao disco.
Depois de dois anos de trabalho, a gravadora de Zeca Baleiro, Saravá Disco, lançou o CD Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé - De Ariana para Dionísio - com poemas de Hilda Hilst musicados pelo artista maranhense.
por EU.

vc meu Eu...beijos..


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Não dá pra ser romântico!

Tarde da noite, casal conversando, já estavam deitados, quando...
MULHER : Se eu morresse você casava outra vez?
MARIDO: Claro que não!
MULHER : Não?! Não por que?! Não gosta de estar casado?
MARIDO: Claro que gosto!
MULHER: Então, porque é que não casava de novo?
MARIDO: Está bem, casava...
MULHER: (com um olhar magoado) Casava?
MARIDO: Casava. Só porque foi bom com você...
MULHER : E dormiria com ela na nossa cama?
MARIDO: Onde é que você queria que nós dormíssemos?
MULHER: E substituiria as minhas fotografias por fotografias dela?
MARIDO : É natural que sim...
MULHER: E ela ia usar o meu carro?
MARIDO: Não. Ela não dirige...
MULHER: !!!! (silêncio)
MARIDO : (em pensamento) F.u.d.e.u !!!
MORAL DA HISTÓRIA:
JAMAIS prolongue um assunto com uma mulher... apenas abane a cabeça ou diga
'A-HAM' ou 'HUM-HUM'.
muito bom...rsrrs...visitem..LaLi
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Frida Kahlo

Nascida a 7 de Julho de 1910, Frida Kahlo é uma das mulheres mais famosas da pintura mundial e sem dúvida uma personagem chave da cultura mexicana. Desde cedo a vida de Frida não foi fácil e pode-se mesmo dizer, que os factos que vamos relatar a seguir parecem indiciar demasiado sofrimento para uma pessoa só. A 17 de Fevereiro de 1925, um acidente mudou radicalmente a sua vida. Acompanhada pelo seu amigo de longa data Alejandro Gomes Arias , o veiculo onde seguiam colidiu contra um autocarro, matando várias pessoas e inflingindo ferimentos noutras.
Após o acidente, Frida foi descoberta meia nua entre os destroços, coberta de sangue e de poeira.
A sua coluna vertebral, costelas, pélvis, clávicula e omoplata foram sériamente afectados no acidente. O seu pé direito foi esmagado e a sua perna direita, já de si afectada pela poliomalite que a atingira na infância (6 anos), ficou partida em 11 lugares.
Para além disso, uma barra de metal entrou pelas ancas e saiu pela vagina provocando danos permanentes a nível abdominal, que a incapacitariam de ter filhos.
Posteriormente, seguiram-se meses longos e dispendiosos de recuperação e terapia. A sua covalescência física envolveu vários meses de imobilidade e até bárbaras operações experimentais a pintora executou.
Pior que o estado físico de Frida, foi o estado mental e de isolamento a que esteve submetida neste período de recuperação.
A solidão afectou-a de sobremaneira e apenas na pintura saíam os seus reais sentimentos.
Guilhermo (Pai) e Matilde (Mãe) gastaram práticamente tudo o que tinham, financiando as operações a que esta se submeteu.
Apesar da situação financeira em se viram, sempre apoiaram Frida e principalmente agora que ela tinha encontrado a sua verdadeira paixão; a pintura.
Um dos elementos que bem demonstra isso, foi o espelho instalado junto da sua cama para permitir que esta pudesse ser o modelo das suas próprias pinturas.
Assim que Frida voltou a andar outra vez, teve a audácia de visitar o já famoso Diego Rivera (crítico e muralista) que conhecera nos tempos de Escola. Desse encontro, Diego não só ficou impressionado com o trabalho de Frida como também com a sua tenacidade, charme e beleza.
A partir daí nasceu uma relação que viria a culminar com o casamento dos dois em Coyoacan a 21 de Agosto de 1929.
A Arte de Diego Rivera
Diego Rivera foi um dos grandes pintores muralistas mexicanos. Nos 10 anos que passou na Europa estudou Goya e El Greco. Conheceu pessoalmente Picasso e Griss e teve uma pequena experiência cubista. Foi na Itália que conheceu os afrescos de Giotto , que lhe serviram de inspiração para a pintura revolucionária e pública que iniciou na sua volta para o México. Rivera só encontrou seu caminho aos 35 anos, quando retornou ao México. O seu trabalho evoluiu do experimental do início do século , para uma técnica própria, com influências das cores de Gauguin e da técnica de Giotto. Os grandes murais, alguns com até 1600 metros quadrados foram sua marca.

A Arte de Frida Kahlo
Frida começou a pintar quase por acaso, quando conheceu Rivera foi estimulada à continuar. Seus quadros tem o fantástico, que muitos procuram enquadrar como surrealista ,o que é um erro. Enquanto os surrealistas pintavam o subconsciente, o escondido, o sonho, o irreal, Frida pinta as emoções que passou em sua vida. A doença sempre esteve presente em sua obra. Dores na coluna por causa do acidente, a poliomielite, abortos , o desejo da maternidade que nunca realizou, as frequentes internações. O fantástico em Frida é o real ,o consciente. A sua pintura é única, é quase uma biografia de paixão e dor. André Breton escreveu: “ A Arte de Frida Kahlo é um garrote em torno de uma bomba”. Frida impressiona! A sua frágil figura contrasta com a força de sua procura por liberdade. A sua fraqueza física não a impediu de lutar contra a doença dos povos, a opressão dos mais fracos. Kahlo é considerada hoje a mais importante artista latino-americana, seus quadros são vendidos por milhões de dólares.

O Final
Frida Kahlo teve complicações circulatórias em sua perna e precisou ser amputada na altura do joelho. Durante os nove meses em que Frida teve hospitalizada (1950), Diego manteve-se sempre a seu lado. Frida Khalo acabaria por socumbir a 13 de Julho de 1954, uma semana após ter feito quarenta e sete anos.

Suas cinzas, conforme seu desejo, estão na “Casa Azul”, hoje Museu Frida Kahlo.
Rivera morre 3 anos depois, em 24 de Novembro de 1957. É sepultado no “Pantéon dos Homens Ilustres”, contrariando seu desejo de repousar junto com Frida Kahlo.
Frida Kahlo e Diego Rivera



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Zélia Gattai Amado

Jorge Amado: marido e mestre

Durante 56 anos, Jorge Amado foi meu marido e meu mestre. O que sei com ele aprendi. Juntos, corremos mundos, percorremos os mais distantes países, os mais belos e estranhos.
Num navio-gaiola, atravessamos a Floresta Amazônica. Numa tenda, em pleno deserto de Gobi, na Mongólia, nos abrigamos de um vendaval de areias escaldantes. Enfrentamos um maremoto numa travessia no Mar do Norte. Num avião Concorde, rompemos a barreira do som. Descobrimos em céus de outros países e em surpreendentes galáxias as mais belas estrelas. Conquistamos amigos, personalidades as mais representativas de nossa era, companheiros maravilhosos.
Em 1947, um novo retrocesso democrático no Brasil, com perseguições, prisões e torturas, nos fez abandonar o país. O Partido Comunista, pelo qual Jorge se elegera deputado federal, foi cassado, seus deputados expulsos do Parlamento e perseguidos. Nossa casa foi invadida e saqueada por policiais. Não havia, pois, condições de continuarmos aqui.
No início de 1948, Jorge partiu para a Europa e eu fui ao seu encontro pouco depois, levando um filhinho de cinco meses. A palavra exílio assusta e entristece, mas Jorge e eu resolvêramos viver em Paris, decidindo enfrentar todas as dificuldades que encontraríamos pela frente, naquele transe do país recém-saído da guerra.
Matriculei-me na Sorbonne e, durante os dois anos que passamos na França, fiz um curso de Civilização Francesa e um curso de Fonética.
Vivemos dois anos em Dobris na Tchecoslováquia, onde nasceu nossa filha Paloma.
Estivemos e conhecemos todos os países de democracia popular, a União Soviética, a Mongólia e a China. Nosso exílio durou quase cinco anos e dele guardo grandes, terríveis e gratas recordações.
Aos 63 anos, escrevi meu primeiro livro de memórias, seguido por dez outros, todos editados por Alfredo e Sérgio Machado, da Record, entre os quais Anarquistas graças a Deus, Chão de meninos, Crônica de uma namorada, Um chapéu para viagem, Jardim de inverno, O segredo da Rua 18, Senhora dona do baile, A casa do Rio Vermelho, Cittá di Roma, Códigos de família, Jorge Amado: um baiano romântico e sensual e Memorial do amor.
Já tínhamos regressado ao Brasil quando Jorge recebeu um convite da Sorbonne para nela receber uma grande homenagem. Ele ficou entusiasmado, embora não estivesse em condições de viajar. Sofrera um infarto e andava atormentado com um grave problema de visão, uma degenerescência senil da retina que lhe dificultava a leitura.
Não adiantaram conselhos para que não viajasse. Resolveu ir e fomos. Ele aproveitaria a ida a Paris para consultar seu oftalmologista, reveria os amigos, mataria saudades e teria a enorme honra de ser laureado por uma das mais importantes universidades do mundo.
Havia, porém, um sério problema a resolver: o do discurso a pronunciar na solenidade da posse. Jorge não estava podendo escrever, mas esse não seria o maior empecilho. Ditaria para mim. O problema mais grave era que ele não estava conseguindo ler. Finalmente, foi encontrada a solução: conhecedora dos segredos da computação, Paloma ampliaria bastante, o mais possível, as letras do texto, facilitando a leitura.
No dia da festa, uma comissão de professores levou Jorge não sei para onde. A sala já estava lotada. Eu, João Jorge e Paloma ficamos na primeira fila, junto ao palco. Ouvimos os primeiros acordes de uma orquestra, dando início à cerimônia. Uma grande porta lateral foi aberta e começaram a entrar os professores envergando suas togas negras com arminho branco nos ombros. Dentro daquela imponente vestimenta, Jorge parecia um gigante. Estava ladeado pela professora e pelo professor que iriam saudá-lo. Adiantei-me, encostei-me no palco e entreguei-lhe o canudo com aquelas enormes folhas de papel nas quais estava o seu discurso.
Quando uma voz solene o anunciou, Jorge dirigiu-se ao microfone. Com a maior tranqüilidade, leu o texto, agradeceu as palavras de louvor que acabara de ouvir. E terminou dizendo: ''Merci beaucoup de tout mon coeur!''
Em agosto de 2001, Jorge partiu para sempre. Nessa viagem, não pude acompanhá-lo. Tudo fora feito para que ele permanecesse ao nosso lado, mas seu coração não resistiu.
Fui convidada a preencher sua vaga na Academia de Letras de Ilhéus e tomei posse a 14 de março de 2002. Depois, aceitei o convite para candidatar-me à sua vaga na Academia de Letras da Bahia. Fui eleita e tomei posse a 18 de abril de 2002.
Consultada e aconselhada por amigos, membros da Academia Brasileira de Letras, a candidatar-me à mesma cadeira 23 que Jorge ocupara durante 40 anos, aceitei o convite, elegi-me e empossei-me no dia 21 de maio de 2002 não para substituí-lo, porque Jorge é insubstituível.
Restava-me repetir as suas palavras pronunciadas na Sorbonne: ''Muito obrigada, de todo o coração!''
Jornal do Brasil (Rio de Janeiro) 06/07/2005

Para Zélia e Jorge Amado
O redemoinho subia, levantando do chão: poeira, folhas e restos de papéis. Chegava à altura de uma pessoa que tivesse seus um metro e setenta, percorria o caminho do jardim como se caminhasse para se aquietar junto do tronco grosso de uma jaqueira frondosa, perto de um banco decorado com caquinhos de azulejos coloridos. Era como se sentasse à sombra da árvore, descansando do percurso. Logo desaparecia, levando consigo as impressões do ambiente, para ressurgir no dia seguinte com o mesmo comportamento.
- Jorge é você - Zélia sussurrava.
A copa das árvores se mexia.
- Jorge não fique de brincadeiras - ralhava ela - apareça! Os meninos estão dormindo. Pedia Zélia.
- Sabe o que eu soube? Vou lhe dar a notícia em primeira mão: eu também estou indo. E quero segurar em suas mãos para fazer a travessia. Vê pára quieto e me escuta seu pé de vento danado.
Zélia notou o redemoinho parar. As flores recendiam um cheiro adocicado. Então, detrás da jaqueira, saí Jorge como se estivesse ali o tempo todo. O camisão florido, a bermuda e as sandálias. O pequeno chapéu escondendo o rosto.
-Zélia você está bonita. Vamos namorar um pouco?
Pegou as mãos de sua mulher e refez o caminho marcado com lajotas sobre a grama.
-Jorge me conta é bonito lá?
- Só é bonito quando posso espiar você.
-Você não se faça de bobo. Viu algum anjo? Conversou com alguém?
-Não, isso eu não fiz. Encontrei o Carybé que mandou lembranças.
Zélia riu.
-Esse arruaceiro! O que não deve estar aprontando, hein.
-Zélia eu não quero nunca sair desse jardim.
Abraçaram-se.
Paloma acordou para beber água. Verificou aberto o quarto da mãe. Ela deve ter ido dar umas voltas no jardim, pensou. Aproximou-se da janela para certificar-se, vendo a mãe sentada ao banco como sempre fazia quando tinha saudades do pai. Sentiu um aperto no coração. As lágrimas vieram à borda dos olhos, conteve-se.
-Ih, Paloma está na janela.
-Jorge, não é possível!
-Olhe, então. Deve ter acordado para beber água.
Zélia acenou para a filha.
Recebeu a brisa noturna com o aroma próximo do alvorecer. A madrugada se despedia. A conversa feita de silêncio e gesto não se deixava aprisionar com as palavras por melhores arranjadas que estivessem.
-Recebi ontem uma carta para você.
-Para mim? E quem é que escreve para um morto?
-É de um rapaz do Rio. Tomei a liberdade de responder e assinar com seu nome.
-O que dizia?
-Ah, ele quer ser escritor, mandou até um conto anexado à carta.
-Era bom?
Zélia falou acerca do futuro do escritor principiante, de sua esperança que um dia ele conseguisse uma boa editora, etc...
- Jorge eu tenho medo.
-Zélia, medo de quê, mulher. Não há nada para se temer aqui. Só há música e paz. As únicas arengas é o Carybé com um grupo de anjos baderneiros é que apronta. O síndico reclama, mas há promessas de um bloco para eternidade que vem. Então vai ter bastante animação. Não se preocupe. Vou sempre estar por perto.
A luz do dia se infiltrava no horizonte como um filete de água rubra correndo pela borda do mundo, transbordando calor.
-É hora de ir.
*
Paloma se encaminhou com o pote de cinzas para o jardim. O óculo escuro não permitia ver os seus olhos, mas chorava. Despejou junto das flores o seu conteúdo inteiro pelos canteiros. Depois subiu para descansar.
À noite, quando se levantou para beber água, viu dois redemoinhos no caminho do jardim. Não sabe porquê sentiu algo familiar por aqueles pés de ventos. E como não comandasse mais o corpo, ela não sabe por que acenou para os dois.
Lá embaixo Jorge e Zélia sorriram.
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...meu Eu.bjus..não esquece...nunca...


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Foi assim, como ver o mar
A primeira vez que os meus olhos se viram no seu olhar
Não tive a intenção de me apaixonar
Mera distração e já era momento de se gostar
Quando eu dei por mim nem tentei fugir
Do visgo que me prendeu dentro do seu olhar
Quando eu mergulhei no azul do mar
Sabia que era amor e vinha pra ficar
Daria prá pintar todo azul do céu
Dava prá encher o universo da vida que eu quis prá mim
Tu...do que eu fiz foi me confessar
Escravo do teu amor, livre para amar
Quando eu mergulhei fundo nesse olhar
Fui dono do mar azul, de todo azul do mar
Foi assim, como ver o mar
Foi a primeira vez que eu vi o mar
Onda azul, todo azul do mar
Daria pra beber todo azul do mar
Foi quando eu mergulhei no azul do mar
Flávio Venturini e Ronaldo Bastos
...você...meu EU. ...eu sua LaLi...assim...aconteceu..simples...

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Mamãe Noel
Sabe por que Papai Noel não existe? Porque é homem. Dá para acreditar que um homem vai se preocupar em escolher o presente de cada pessoa da família, ele que nem compra as próprias meias? Que vai carregar nas costas um saco pesadíssimo, ele que reclama até para colocar o lixo no corredor? Que toparia usar vermelho dos pés à cabeça, ele que só abandonou o marrom depois que conheceu o azul-marinho? Que andaria num trenó puxado por renas, sem ar-condicionado, direção hidráulica e air-bag? Que pagaria o mico de descer por uma chaminé para receber em troca o sorriso das criancinhas? Ele não faria isso nem pelo sorriso da Luana Piovani! Mamãe Noel, sim, existe.
Quem é a melhor amiga do Molocoton, quem sabe a diferença entre a Mulan e a Esmeralda, quem conhece o nome de todas as Chiquititas, quem merecia ser sócia-majoritária da Superfestas? Não é o bom velhinho.
Quem coloca guirlandas nas portas, velas perfumadas nos castiçais, arranjos e flores vermelhas pela casa? Quem monta a árvore de Natal, harmonizando bolas, anjos, fitas e luzinhas, e deixando tudo combinando com o sofá e os tapetes? E quem desmonta essa parafernália toda no dia 6 de janeiro?
Papai Noel ainda está de ressaca no Dia de Reis. Quem enche a geladeira de cerveja, coca-cola e champanhe? Quem providencia o peru, o arroz à grega, o sarrabulho, as castanhas, o musse de atum, as lentilhas, os guardanapinhos decorados, os cálices lavadinhos, a toalha bem passada e ainda lembra de deixar algum disco meloso à mão?
Quem lembra de dar uma lembrancinha para o zelador, o porteiro, o carteiro, o entregador de jornal, o cabeleireiro, a diarista? Quem compra o presente do amigo-secreto do escritório do Papai Noel? Deveria ser o próprio, tão magnânimo, mas ele não tem tempo para essas coisas. Anda muito requisitado como garoto-propaganda.
Enquanto Papai Noel distribui beijos e pirulitos, bem acomodado em seu trono no shopping, quem entra em todas as lojas, pesquisa todos os preços, carrega sacolas, confere listas, lembra da sogra, do sogro, dos cunhados, dos irmãos, entra no cheque especial, deixa o carro no sol e chega em casa sofrendo porque comprou os mesmos presentes do ano passado?
Por trás do protagonista desse megaevento chamado Natal existe alguém em quem todos deveriam acreditar mais.
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Carta para Papai Noel
Caro Papai Noel,
Não vou lhe pedir boneca, carrinho ou game porque não sou mais criança,
e também não vou pedir paz no mundo porque já não acredito mais nisso.
Mas ainda acredito no senhor, o que é miraculoso. Então lhe peço através
desta humilde cartinha: será que neste Natal o senhor poderia harmonizar
esta quantidade incrível de casais que se amam mas não se entendem?
Não sei se o senhor é casado, solteiro ou enrolado, mas deve entenderum
pouco dessas coisas, suas barbas brancas não surgiram do nada. O que
acontece é o seguinte: João ama Maria e Maria ama João, mas o ciúme
impede que eles vivam tranqüilos (Maria está sempre desconfiada e pega
muito no pé dele). Carlos ama Regina e Regina ama Carlos, mas a
diferença de idade deixa ela insegura (ela é 10 anos mais velha e não
percebe que ele não dá a mínima pra isso). Suzana ama Flávio e Flávio
ama Suzana, mas eles não demonstram este amor da mesma maneira (ela é
mais cautelosa, nunca disse "eu te amo", e ele fica grilado). Vivian ama
Marilia e Marilia ama Vivian, mas têm problemas para assumir a relação
(uma saiu do armário e a outra esconde a homossexualidade da família).
Jairo ama Luiza e Luiza ama Jairo, mas o sexo é traumático pra ele
(Jairo se recusa a fazer terapia). Selma ama Renato e Renato ama Selma,
mas ela parece desinteressada (só dá atenção aos filhos). Juca ama
Andrea e Andrea ama Juca, mas eles brigam por qualquer coisinha (um é
egocêntrico e o outro também, então já viu, né?)
Papai Noel, se eu fosse citar todos os exemplos, não caberia nesta minha
coluna. Seria uma carta sem fim, e eu tenho outros textos pra escrever,
o dever me chama. Então, meu bom velho, posso contar com o senhor? É só
distribuir de casa em casa os seguintes presentes: positivismo,
serenidade e consciência, para que o pessoal se lembre que desacertos
fazem parte de TODAS as relações: ou enfrenta-se com bom humor ou então
é melhor ficar sozinho. Mas taí uma coisa que ninguém acredita: quea
solidão é a melhor opção.
Papai Noel, vê lá. Estou confiando nas suas barbas brancas.



Carta de Auguste Rodin para Camille Claudel, 1886
"[...] Não agüento mais, não posso passar mais um dia sem vê-la. Senão é a atroz loucura. Tudo acabou, não trabalho mais, divindade malfazeja e, no entanto, amo você com furor. Minha Camille, esteja segura de que não tenho nenhuma outra amiga e toda minha alma lhe pertence. Não consigo convencê-la e minhas razões são importantes, você não acredita em meu sofrimento. Eu choro e você duvida. Há tempos não rio, não canto, tudo me é insípido e indiferente. Já estou morto e não mais compreendo todo o esforço que fiz para conseguir coisas que hoje me são totalmente indiferentes. Deixe-me vê-la todos os dias, será uma boa ação e talvez eu possa ter alguma melhora, pois só você pode me salvar com sua generosidade. [...] não deixe que a horrível e lenta doença atinja minha inteligência, o amor ardente e tão puro que sinto por você. Enfim, piedade minha querida, e você será recompensada.
Auguste Rodin"
*
Carta de Camille Claudel a Auguste Rodin, 1891
"[...] Como seria gentil se me comprasse uma roupa de banho azul escura com galões brancos, em duas peças, blusa e calça (tamanho médio), no Louvre ou no Bon Marché (de sarja) ou em Tours! Durmo nua todas as noites na ilusão de que está a meu lado, mas quando acordo já não é mais a mesma coisa.
Um beijo,
Camille
Sobretudo, não volte a me enganar."
*
Encontrei esses trechos por acaso e me lembrei do filme sobre a história de Camille Claudel. Eu já assisti e é imensamente triste. Ela foi abandonada pelo Rodin depois de ser seu braço direito e verdadeira autora de muitas de suas obras. Acabou destruindo boa parte de suas próprias esculturas e morreu sozinha, depois de passar seus últimos 30 anos de vida trancada num hospício. Mesmo assim, ela foi genial e merecia ser reconhecida e lembrada por isso. Quem sabe um dia.(Cassia Pires)
Trecho do filme, sem legendas, aqui.
Trechos das cartas, aqui.
Site da Association Camille Claudel, aqui.
http://olhoscaramelos.wordpress.com/category/dos-olhares/
**
Gostei qdo li e trouxe para cá...claro que com devidos créditos...e recomendo...bjus, meu EU. lindo... LaLi...



"(...)Não tenha medo desse texto. Não tenha medo da quantidade absurda de
carinho que eu quero te fazer. E de eu ser assim e falar tudo na lata. E de eu
não fazer charme quando simplesmente não tem como fazer. E de eu te beijar como
se a gente tivesse acabado de descobrir o beijo. E de eu ter ido dormir com dor
na alma o final de semana inteiro por não saber o quanto posso te tocar. Não
tenha medo de eu ser assim tão agora. E desse meu agora ser do tamanho do
mundo.(...) E eu só vejo você me ensinando a dar estrela. Eu só vejo você
enchendo minha vida de estrelas. Se você puder, não tenha medo. Eu sou só uma
menina que voltou a ver estrelas. E que repete, sem medo e sem fim, a palavra
estrela no mesmo parágrafo. Estrela, estrela, estrela. Zilhões de vezes. "
(Tati Bernardi)
meu EU. bjus..


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E o resto é silêncio
E então ficamos os dois em silêncio, tão quietos
como dois pássaros na sombra, recolhidos
ao mesmo ninho,
como dois caminhos na noite, dois caminhos
que se juntam
num mesmo caminho...Já não ouso... já não coras...
E o silêncio é tão nosso, e a quietude tamanha
que qualquer palavra bateria estranha
como um viajante, altas horas...Nada há mais a dizer, depois que as próprias mãos
silenciaram seus carinhos...Estamos um no outro
como se estivéssemos sozinhos...
J.G. de Araújo Jorgepara vc..meu Eu. ...bjus
O Que Nós Queremos Deles
Mas, afinal, o que querem as mulheres de um homem? O que nós queremos? Em primeiro lugar, que ele nos ame muito; muito, mas não exageradamente. Que nos entenda, que nos ouça sempre com muita atenção, mesmo que não esteja muito interessado no que estamos falando (mas fingindo estar).
Não, ele não precisa nos trazer flores; mas deve estar sempre nos procurando, fazendo um carinho no nosso ombro, pousando (apenas pousando) a mão na nossa coxa por debaixo da mesa ou quando estiver dirigindo o carro, coisa de quem se sabe dono absoluto do nosso coração (e do nosso corpo); só faz isso um homem seguro, que é o que todas queremos. Por outro lado, é preciso que ele nos solicite muito, pergunte que gravata deve usar, se gostamos da água de colônia nova, que carro deve comprar, mesmo que acabe fazendo o que quer, sem dar a mínima para nossa opinião. Mas também é preciso que às vezes fique quieto, calado, para nos deixar bem inquietas, imaginando no que será que ele está pensando. Mulher não pode nunca se sentir nem muito segura nem muito insegura: tem que ser no ponto certo.
O ponto certo, essa é a questão. Para isso é preciso sensibilidade, coisa fundamental no homem que se ama. Sensibilidade para sentir quando estamos precisando de um carinho, de um amasso ou de ficar em silêncio. E ser capaz de, na hora de uma briga, dizer "vem cá, sua boba", e a gente se aninhar nos braços dele esquecendo de tudo que estava falando. Ah, como é bom um homem assim. Não é preciso que ajude a lavar pratos, nem a arrumar a cozinha, essas bobagens a gente faz com o maior prazer quando ama. Mas a cada cinco minutos pode perguntar, enquanto assiste o futebol (sem tirar os olhos da TV), se ainda vai demorar muito essa arrumação, pedir para você levar uma cerveja e dizer "vem sentar do meu lado para ver o jogo". Esse jogo não nos interessa nem um pouco, mas saber que ele precisa de nós num momento tão crucial é tudo de que precisamos para ser felizes. E quando o time dele fizer um gol e ele comemorar te abraçando e beijando muito, seja solidária e mostre-se tão feliz como se tivesse acabado de ganhar o mais lindo vestido da última coleção de Valentino.
Não basta ser mulher: tem que participar. A hora de ir para a cama é muito importante: mesmo que ele esteja estudando um processo ou lendo uma revista em quadrinhos, é fundamental que ponha a perna em cima da sua, para que você sinta que, aconteça o que acontecer; ele estará sempre ligado em você. E um homem que quer ser amado sobre todas as coisas não pode jamais, mas jamais, depois de apagar a luZ do abajur, se virar de costas para dormir; isso é crime que nenhuma mulher perdoa. E quando, já no escuro, ele faz um carinho na sua cabeça e se encaixa - não há mulher que resista a um homem que sabe se encaixar bem -, aí é que você sente a felicidade total e pensa que é aquele homem, aquele e nenhum outro, que pode fazê-la feliz. É só isso que queremos dos homens. Não é pedir muito, é?
"Danuza"

Cançao das mulheres
Lya Luft
"Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços
sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo
a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude,
e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim,
porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou
nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dói a idéia da perda, e ouse ficar comigo
um pouco mais em lugar de voltar logo à sua vida, não porque lá está
a sua verdade mas talvez seu medo ou sua culpa.
Que se começo a chorar sem motivo depois de um dia daqueles,
o outro não desconfie logo que é culpa dele, ou que não o amo mais.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer
alarde nem dizendo "Olha que estou tendo muita paciência com você!"
Que se me entusiasmo por alguma coisa o outro não a diminua,
nem me chame de ingênua, nem queira fechar essa porta necessária
que se abre para mim, por mais tola que lhe pareça.
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante
de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que quando levanto de madrugada e ando pela casa, o outro não venha logo
atrás de mim reclamando: "Mas que chateação essa sua mania, volta pra cama!"
Que se eu peço um segundo drinque no restaurante o outro não
comente logo: "Pôxa, mais um?"
Que se eu eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco
a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro, filho, amigo, amante, marido, não me considere sempre
disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite
quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço,
não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa:
vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa, uma mulher".
