

Crônica Do Natal Caipira
Aldemar Paiva
Eu não gosto de vancê, Papai Noé!
Tamém não gosto desse seu papé de vendê ilusão pra tar da burguesia.
Se os meninu pobre da cidade soubessem o desprezo qui o se tem, pelos humirde, pela humirdade eu acho que eles jogava pedra em sua fantasia.
Você talvez vancê nem se alembra mais. Eu cresci, me tornei rapaz, sem nunca me esquecê, daquilo que passô.
Eu lhe escrevi um biete, pedindo um presente a noite inteira eu esperei contente, chegou o sor, mais vancê
num chegou.
Dias depois, meu pobre pai, cansado, me trouxe um trenzinho véio, enferrujado, e me ponhou ansim na
minha mão e me oiando baixinho me falou: toma, é pra vancê, foi papai noé que mandou. E vi quandu ele adisfarçou umas lágrima cum a mão.
Eu alegre e inocente nesse caso, pensei que o meu biete embora cum atraso tinha chegadu em suas mão, no fim do mês. Limpei ele bem limpado, dei corda, o trem partiu, deu muitas vorta, meu pai então se riu e me abraçô pela urtima vez. O resto, eu só pude cumpreender quando cresci e comecei a ver as coisa com a realidade.
Um dia meu pai chegou ansim, cum quem tá cum medo e falou pra mim: me dá aqui aquele seu brinquedo daqui vou trocá por outro na cidade . Entônce eu entreguei pra ele o meu trenzinho quase a soluçá e, como quem não quer abandoná um mimo, um mimo que lhe deu, quem lhe qué bem, eu upriquei medroso: -- ô pai eu só tenhu ele! Eu num quero outro brinquedo, eu quero aquele. por favor pai, num vá levá meu trem?.
Meu pai calô e pelo seu rosto veio descendo uma lágrima que, inté hoje creio, tão pura e santa ansim só Deus chorou!
Ele saiu correnu bateu a porta, ansim como um doido varido minha mãe gritou; pra ele: José! ele num deu orvido. Foi embora e nunca mais vortô.
Vancê, Papai Noé, vancê me transformou num homem que hoje a infância arruinô. Sem pai e sem brinquedo.
Afiná, dos seus presentes, num ai um que sobre da riqueza do menino pobre que sonha o ano inteiro com a noite de natá.
Meu pobre pai coitado, mar vestido, pra num me vê naquele dia desiludido, pagô bem caro a minha inlusão, num gesto nobre, humano e dicisivo, ele foi longe demais pra me trazer aquele lenitivo, tinha robado aquele trem do filho do patrão.
Quando ele sumiu, pensei que tinha viajadu, no entanto, minha mãe despois deu grande, me contou em pranto que ele foi preso coitado e tranformadu em réu. Ninguém pra absolvê meu pai se atrevia. Ele foi definhando na cadeia, inté,qui um dia, Deus entrou na sua cela e o libertô pro céu.
A Necessária Crônica De NatalFernando Paganatto
Seu zé pretinho, com sorriso maroto, que sempre foi a marca dele, ajunta a meninada em volta da mesa da sala, de madeira, firme, que ele mesmo fez. São onze roncos que terminam em sorrisos tortinhos e amarelados. Ligeiras galhofinhas que disfarçam as sujeiras das marotas mãos miúdas.
Acende as velas da mesa, porque não há luz, mas o jantar não é de gala, nem mesmo de galo é, no quase-anoitecer. As mulheres da família, que são muitas, cuidam das panelas na lenha já estalando de queimar. As lagartixonas correm, rapidinho rapidinho, por entre as palmas esverdeadas. Se escondem da noite que vem prometendo ser traiçoeira. Dentro da casa, a família é só silêncio, de boca do rosto, da boca do estômago se ouve coisa. A colheita de seo zé pretinho garantiu que a ceia fosse, bem pouco, feliz. Tudo o que a sequidão do chão desse lugarejo craquelado permitiu que ele aproveitasse, ele aproveitou. Não vai também encher as panelas. Nem vai também encher as barrigas, afinal, são tantas. Mas que engana, isso sim. Mas que os engana, também.
Sentados, já do lado de fora da pauapique, rodeados pela magrinha fauneflora, sequinha de tudo, olham para o céu cheio de estrelas e estrelas. Desanuveadamente límpido. Elas, as estrelas, todinhas, paradinhas, se tilintam, muito, abestalhadamente. Parecem mil-e-tantos vaga-lumes no meio do mato escuro! O boi Ciço, que tem a graça em homenagem, também, claro, ao padre que é santo por aqui, que está deitado, como passa, praticamente, o dia todo, tem os olhos brilhando. Pisca, lentamente, tirando as muriçoquinhas, que pouco comeram, também, hoje, de dentro dos olhos. O frio da noite geme e até arrepia a gente. As muriçoquinhas não incomodam ninguém, que, ainda, se alimenta na lembrança do jantado. Os cactos não foram enfeitados nenhum não. Suas florezinhas morreram, já, miseráveis, de ressecadas. Aqui, o papainoel não parou, não. Talvez não tenha visto esse barraco no breu da noite! Também, um barraquinho desses, assim-assim, sem-gracinha, sem-corzinha, sem brilho nenhum, nenhum.
A rouca conversa vai se finando assim, que nem o cigarrinho-de-paia. Seo zé pretinho adormece no balangar da cadeira ao relento. Nem um serenozinho pra umedecer os sonhos. A criançada brinca, correndo e gritando, pouco, de leve, porque a fome aumenta, sob o Luar do Sertãozão. O ronronar, se cessou há uma miudeza de tempo.
A Rapariguinha dos Fósforos
Hans Christian Andersen
Fazia tanto frio! A neve não parava de cair e a noite aproximava-se. Aquela era a última noite de Dezembro, véspera do dia de Ano Novo. Perdida no meio do frio intenso e da escuridão, uma pobre rapariguinha seguia pela rua fora, com a cabeça descoberta e os pés descalços. É certo que ao sair de casa trazia um par de chinelos, mas não duraram muito tempo, porque eram uns chinelos que já tinham pertencido à mãe, e ficavam-lhe tão grandes, que a menina os perdeu quando teve de atravessar a rua a correr para fugir de um trem. Um dos chinelos desapareceu no meio da neve, e o outro foi apanhado por um garoto que o levou, pensando fazer dele um berço para a irmã mais nova brincar.
Por isso, a rapariguinha seguia com os pés descalços e já roxos de frio; levava no avental uma quantidade de fósforos, e estendia um maço deles a toda a gente que passava, apregoando:
–Quem compra fósforos bons e baratos? – Mas o dia tinha-lhe corrido mal. Ninguém comprara os fósforos, e, portanto, ela ainda não conseguira ganhar um tostão. Sentia fome e frio, e estava com a cara pálida e as faces encovadas. Pobre rapariguinha! Os flocos de neve caíam-lhe sobre os cabelos compridos e loiros, que se encaracolavam graciosamente em volta do pescoço magrinho; mas ela nem pensava nos seus cabelos encaracolados. Através das janelas, as luzes vivas e o cheiro da carne assada chegavam à rua, porque era véspera de Ano Novo. Nisso, sim, é que ela pensava.
Sentou-se no chão e enrolou-se ao canto de um portal. Sentia cada vez mais frio, mas não tinha coragem de voltar para casa, porque não vendera um único maço de fósforos, e não podia apresentar nem uma moeda, e o pai era capaz de lhe bater. E afinal, em casa também não havia calor. A família morava numa água-furtada, e o vento metia-se pelos buracos das telhas, apesar de terem tapado com farrapos e palha as fendas maiores. Tinha as mãos quase paralisadas com o frio. Ah, como o calorzinho de um fósforo aceso lhe faria bem! Se ela tirasse um, um só, do maço, e o acendesse na parede para aquecer os dedos! Pegou num fósforo e: Fcht!, a chama espirrou e o fósforo começou a arder! Parecia a chama quente e viva de uma candeia, quando a menina a tapou com a mão. Mas, que luz era aquela? A menina julgou que estava sentada em frente de um fogão de sala cheio de ferros rendilhados, com um guarda-fogo de cobre reluzente. O lume ardia com uma chama tão intensa, e dava um calor tão bom! Mas, o que se passava? A menina estendia já os pés para se aquecer, quando a chama se apagou e o fogão desapareceu. E viu que estava sentada sobre a neve, com a ponta do fósforo queimado na mão.
Riscou outro fósforo, que se acendeu e brilhou, e o lugar em que a luz batia na parede tornou-se transparente como tule. E a rapariguinha viu o interior de uma sala de jantar onde a mesa estava coberta por uma toalha branca, resplandecente de loiças finas, e mesmo no meio da mesa havia um ganso assado, com recheio de ameixas e puré de batata, que fumegava, espalhando um cheiro apetitoso. Mas, que surpresa e que alegria! De repente, o ganso saltou da travessa e rolou para o chão, com o garfo e a faca espetados nas costas, até junto da rapariguinha. O fósforo apagou-se, e a pobre menina só viu na sua frente a parede negra e fria.
E acendeu um terceiro fósforo. Imediatamente se encontrou ajoelhada debaixo de uma enorme árvore de Natal. Era ainda maior e mais rica do que outra que tinha visto no último Natal, através da porta envidraçada, em casa de um rico comerciante. Milhares de velinhas ardiam nos ramos verdes, e figuras de todas as cores, como as que enfeitam as montras das lojas, pareciam sorrir para ela. A menina levantou ambas as mãos para a árvore, mas o fósforo apagou-se, e todas as velas de Natal começaram a subir, a subir, e ela percebeu então que eram apenas as estrelas a brilhar no céu. Uma estrela maior do que as outras desceu em direcção à terra, deixando atrás de si um comprido rasto de luz.
«Foi alguém que morreu», pensou para consigo a menina; porque a avó, a única pessoa que tinha sido boa para ela, mas que já não era viva, dizia-lhe muita vez: «Quando vires uma estrela cadente, é uma alma que vai a caminho do céu.»
Esfregou ainda mais outro fósforo na parede: fez-se uma grande luz, e no meio apareceu a avó, de pé, com uma expressão muito suave, cheia de felicidade!
– Avó! – gritou a menina – leva-me contigo! Quando este fósforo se apagar, eu sei que já não estarás aqui. Vais desaparecer como o fogão de sala, como o ganso assado, e como a árvore de Natal, tão linda.
Riscou imediatamente o punhado de fósforos que restava daquele maço, porque queria que a avó continuasse junto dela, e os fósforos espalharam em redor uma luz tão brilhante como se fosse dia. Nunca a avó lhe parecera tão alta nem tão bonita. Tomou a neta nos braços, e soltando os pés da terra, no meio daquele resplendor, voaram ambas tão alto, tão alto, que já não podiam sentir frio, nem fome, nem desgostos, porque tinham chegado ao reino de Deus.
Mas ali, naquele canto, junto do portal, quando rompeu a manhã gelada, estava caída uma rapariguinha, com as faces roxas, um sorriso nos lábios… morta de frio, na última noite do ano. O dia de Ano Novo nasceu, indiferente ao pequenino cadáver, que ainda tinha no regaço um punhado de fósforos.
– Coitadinha, parece que tentou aquecer-se! – exclamou alguém. Mas nunca ninguém soube quantas coisas lindas a menina viu à luz dos fósforos, nem o brilho com que entrou, na companhia da avó, no Ano Novo
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Nascida a 10 de fevereiro de 1894, na Rua da Assembléia, entre a Rua do Tira Chapéu e a Rua da Ajuda, no Centro Histórico de Salvador, Menininha teve como pais Joaquim e Maria da Glória Assunção.
A sua família era dedicada ao culto dos Orixás, possuindo linhagem nobre, com raízes localizadas em Agbeokuta, na Nigéria, de onde vieram os pais de Maria Júlia da Conceição Nazaré, fundadora do Terreiro de “nação” Keto na Bahia, esse Terreiro que, da Barroquinha, zona central de Salvador, transferiu-se para um terreno, arrendado à família Gantois, localizado no bairro da Federação
Maria Escolástica, nascida no dia de Santa Escolástica, foi iniciada nos ritos africanos com a idade tenra de oito meses de nascida, oportunidade em que sua tia e antecessora, Pulcheria da Conceição Nazaré, conhecida como Kekerê, numa alusão à sua titulação hierárquica ocupando o cargo de Iya kekerê (Mãe pequena), vaticinou: “É filha de Oxum”, e a profecia concretizou-se. Oxum é a Deusa da beleza e do rio. Oxum, na Nigéria, é um Orixá muito popular e é cultuado em Salvador com extrema devoção.
A 18 de fevereiro de 1922, “a estrela mais linda do Alto do Gantois” inicia a sua trajetória religiosa, tendo recebido o poder místico diretamente de Oxóssi, Deus da Caça, rei de Keto, e de Xangô, Deus do Fogo e do Trovão, rei de Oyo, secular capital do povo yoruba.
Assumir a liderança do Ilê Iya Omin Axé Iyamassé, o Terreiro do Gantois, com pouca idade não se daria sem a natural polêmica. Além do mais, normalmente, o Axé, ou seja, o poder místico para exercer o cargo de Mãe-de-santo, é passado por outra Mãe-de-santo, qualificada para tal. Os ânimos foram apaziguados porque foram os Orixás que realizaram a escolha: “Os Orixás quiseram logo escolher quem ficaria tomando conta da Casa. E eles mesmos me deram posse, não foram pessoas não. Primeiro foi Oxóssi, depois Xangô, Oxum e Obaluaê. Eles me deram esse cargo de felicidade que estou ocupando até o dia em que Deus quiser,” comentava.
Menininha sucedeu Maria Pulchéria, que havia falecido, um grande nome, merecedor de um estudo aprofundado.De um candomblé situado no Barroquinha, fundado pelos africanos Babá Assiká, Babá Adetá e Iya Nassô, nasceu o Ilê Iya Nassô, conhecido como candomblé do Engenho Velho, a famosa Casa Branca, e o Axé Iyamassé, titulação litúrgica do também famoso Candomblé de Menininha. Maria Júlia da Conceição Nazaré, que carregava orgulhosamente sobre sua cabeça o Orixá Bayani, irmão de Xangô, foi a fundadora deste respeitado templo da religiosidade afro-brasileira.
O nome de Maria Júlia, em nagô, era Omonikê; sua mãe chamava-se Akalá e o seu pai Okanrindê, nascidos em Akê, local onde fica o Palácio do rei de Agbeokuta, na Nigéria. Akalá tinha como orixá (dono de sua cabeça) Nanã Buruku, e Okanrindê possuia como orixá Aganju e ocupava, junto ao rei, um alto cargo intitulado Assolu Obá.
Reafirmando sua qualidade de estar sempre integrada aos fatos do seu tempo, Mãe Menininha abordava diversos aspectos que interagiam com seu cotidiano, o que deslumbrava sua visão de mundo e o contexto social circundante às suas atividades de sacerdotisa.
A respeito de seu carinhoso apelido, dizia: “Não sei quem pôs em mim o nome de Menininha… Minha infância não tem muito o que contar… Agora, dançava o candomblé com todos desde os seis anos”, o que revela uma precocidade bem vinda e um acúmulo de conhecimentos, revelados importantes em sua idade madura, no exercício do cargo de Iyalorixá.
Referindo-se aos tempos sombrios do violento preconceito e perseguições ao culto afro-brasileiro, assim expressava-se: “Eu tinha 22 anos no tempo da perseguição violenta da polícia aos candomblés, não era Orixá nem Mãe-de-santo. Foi uma época dura.” Identificando os algozes deste período brutal, e caracterizando sua atuação, dizia: “Um delegado que conhecemos muito, Dr. Pedro de Azevedo Gordilho, incomodou muitos pequenos candomblés.”
Mais tarde, recebe a convocação para o exercício de sua vida de liderança religiosa: “Quando os Orixás me escolheram, não recusei porque respeito muito a seita… Esta obrigação é árdua, não é uma coisa que se pegue com uma mão só… Isso é uma coisa de grande responsabilidade”. Dizia, consciente da grande missão que os Orixás lhe reservaram.
Contemporânea de figuras memoráveis do candomblé, Mãe Menininha respeitava-as, porém sabia da sua capacidade e conhecimentos para uma tarefa tão importante: “Conheci os grandes candomblés da Bahia… Conheci as grandes Mães-de-santo: a do Engenho Velho, Ursulina; a outra, Senhora Marcelina; dona Aninha do Axé Opo Afonjá… Apesar de ter sido escolhida pelos Orixás muito nova, nunca precisei pedir conselhos às outras Iyalorixás”, dizia com uma discreta ponta de orgulho, porém sem perder a humildade, sua maior característica.
Em reconhecimento à dedicação integral à sua missão sagrada, caracterizada pela solidariedade aos que a procuravam em busca de auxílio, pessoas de todos os níveis sociais eram atendidas em suas aflições e incertezas, seus amigos registraram os seus 50 anos de sacerdócio com uma placa de bronze, com a seguinte inscrição: “Nesta casa de Candomblé da Sociedade São Jorge do Gantois, Ilê Iya Omin Axé Iymassê, situado no Largo da Pulchéria, no Alto do Gantois, há 50 anos, Dona Maria Escolástica da Conceição Nazaré, Mãe–de-santo Menininha do Gantois, zela do alto do seu posto de Ialorixá, com exemplar dedicação e perene bondade, pelos orixás e pelo povo da Bahia”. Estava registrada em metal nobre, o bronze de Oxum, uma história de dedicação ao próximo, à tradição afro-brasileira e aos Orixás.
As atividades e responsabilidades decorrentes do cargo assumido alteraram, sobretudo, sua vida particular: “Meu marido, quando me conheceu, sabia que eu era do candomblé… A gente viveu em paz porque ele passou a gostar de Candomblé. Mas, quando fui feita Iyalorixá, passamos a morar separados. No meu terreiro, eu e minhas filhas. Marido não. Elas nasceram aqui mesmo”.
Mãe Menininha, como líder espiritual e pessoa sociável, conviveu com pessoas das mais diversas opções religiosas, num relacionamento respeitoso, no qual os pontos de vista sobre o mundo, observado de formas diferentes, não causavam nenhuma dificuldade para uma amizade sincera. O ex-Abade do Mosteiro de São Bento, Dom Timóteo Amoroso Anastácio, figura de destaque da vida social e religiosa e respeitadíssimo na comunidade baiana, expressou, por diversas vezes, sua admiração pela Iyalorixá, ressaltando a amizade de ambos, do que não pedia reservas e declarava publicamente, como exemplo de convivência a ser seguido no combate às intolerâncias.
Assim pensava, sobre o tema, Mãe Menininha: “Para mim, todas as religiões são verdadeiras, agora cada um na sua… Antigamente, as pessoas pensavam tantas coisas ruins do candomblé, mas ele é bom e não faz mal a ninguém. Os padres deveriam entender isso… África conhece o nosso Deus tanto quanto nós o conhecemos, com nome diferente, mas é o mesmo Deus com o nome de Olorum”, e acrescentava, numa postura sincrética, indiferente às posições contrárias a essa opinião: “Tenho um pouco da religião católica porque encontrei na minha família muita crença no catolicismo. Fiz minha primeira comunhão e ouvi missa.”
Mãe Menininha não acreditava na possibilidade do candomblé desaparecer, perdendo suas características fundamentais, porém admitia que o mesmo sofrera transformações: “Antigamente, nós tínhamos mais fé nos Orixás, mais respeito também.” Sobre o perfil dos novos frequentadores do candomblé, observava: “O povo do candomblé é mais pobre, mas de uns tempos para cá muita gente rica tem aparecido… para mim, essa gente vem com mais curiosidade do que fé… Acho que as pessoas como eu, zeladoras do culto, devem ter o máximo de cuidado… Essas pessoas querem ver tudo, sem pertencer à seita.”
Sobre sua postura ética, assim expressava-se: “Eu aqui me meto em certos apuros porque só trabalho para a linha do bem” e diagnosticava: “sabe por que as pessoas têm mais problemas hoje? É a falta de Deus (Olorum).” Sua fama extrapolava a cidade de Salvador, na plenitude de sua dedicação e percorria o mundo. Muitos queriam vê-la, ouvi-la, e eram atendidos, ultimamente na medida de sua disponibilidade e estado de saúde. Porque ela fazia questão de atender, num grande esforço e dedicação.
No dia 13 de agosto de 1986, na plenitude de sua fé e perfeita intimidade com os Orixás, aos 92 anos de uma vida voltada à preservação e expansão do legado sagrado, herança deixada pelos nossos ancestrais africanos, Maria Escolástica Nazaré retorna ao Orum. Falece Mãe Menininha do Gantois e sobrevive sua obra. Segundo o antropólogo Júlio Braga, em função de viver permanentemente no “Lessé Orixá”, ou seja, aos pés ou na companhia da sua entidade protetora, a natureza da divindade passa a ser a natureza da pessoa, sendo que, para os adeptos das nações Keto, Angola, Jeje etc., Mãe Menininha era um Orixá que viveu no meio de nós. “Ela era um Orixá”, afirmava convicto o rei de Ijebu Ore, supremo sacerdote da religião na Nigéria, quando da sua visita à Iyalorixá, em julho de 1983.
Legítima filha de Oxum e uma das sacerdotisas mais respeitadas do culto afro-brasileiro, essa era a opinião de intelectuais, políticos, artistas e o povo em geral, em especial dos adeptos do candomblé. No seu longo reinado de 64 anos à frente do Terreiro do Gantois, impôs respeito e admiração à religião dos Orixás: “Os integrantes do movimento negro, de caráter político, espalhado em todo Brasil, interpretam a fidelidade da Mãe Menininha à religião africana como um exemplo de resistência negra.”
No dia 10 de fevereiro de 1991, em Salvador, na Bahia, local onde viveu e praticou sua fé, foi inaugurado o Memorial Menininha do Gantois, situado no Terreiro onde exerceu suas atividades, espaço que traduz, na exposição dos objetos que lhe pertenciam, as virtudes enquanto mulher e sacerdotisa.
Nesta oportunidade, assim expressou-se, entre outros ilustres, o escritor Jorge Amado: “Quando jogava ao búzios sobre a toalha rendada, os Orixás atendiam ao seu chamado, vinham das lonjuras para ela conversar em intimidade… Aqui continuas a zelar pelos Orixás e pelo povo da Bahia, Mãe Menininha do Gantois, aqui resplandece tua memória imortal.”
Caetano Veloso afirmara: “A memória de Mãe Menininha projeta-se para o futuro de um Brasil que há de merecer uma vida à altura dos deuses que vieram, pelo destino trágico do seu povo, habitar nossas florestas, nossas ruas, nossa língua e nossos sonhos… A memória de Mãe Menininha é a memória do que há de mais profundo e mais denso em nossa formação cultural.” E sintetiza Nizan Guanaes: “Nem todo o Brasil conhece candomblé, mas todo mundo conhece Mãe Menininha.”
No dia 3 de fevereiro de 1994, a prefeita de Salvador, Lídice da Mata, inaugurou, no Alto do Gantois, a Praça Pulchéria, em homenagem ao centenário de nascimento de Mãe Menininha. Participaram artistas, intelectuais e o povo. Após o ato de inauguração, houve a bênção do padre Rubens, vigário da Paróquia do Divino Espírito Santo, à qual pertence a comunidade do Gantois, simbolizando a união de culturas religiosas tão ao gosto da filha de Oxum, batizada Maria Escolástica. O governador Antônio Carlos Magalhães compareceu às vésperas da inauguração, sendo recebido por integrantes do Terreiro, tendo à frente Mãe Cleuza, sucessora, filha espiritual e de sangue de Mãe Menininha.
Zeno Millet, filho de Mãe Cleuza, afirmava: “Isso era desejo do marido de Mãe Menininha (também já falecido) homenagear a sua antecessora, tia Pulchéia,” e acrescentava: “O aniversário de minha avó não contará com cerimônias sagradas e restritas. Todas as atividades até o dia 10 serão abertas ao público.”
Como se observa, o Terreiro Ilê Iya Omin, Terreiro do Gantois, tem a sua continuidade, zelando pelos mesmos parâmetros traçados pelas ilustres antecessoras. Foi e continua sendo um poço de sabedoria e acervo importante das tradições afro-brasileiras e exercício de tradição e negritude, superando suas dificuldades ou conflitos inerentes a qualquer vivência coletiva, administrado sob inspiração dos orixás e capacidade de suas lideranças, cultuando as suas memórias, patrimônio que inspirou Caymmi a dizer, em sinceros versos, amparados por uma bela melodia; “Ai, minha Mãe, minha Mãe Menininha, Ai, minha Mãe, Menininha do Gantois… Olorum quem mandou essa filha de Oxum tomar conta da gente e de tudo cuidar, Olorum quem mandou ê ô, Ora yeyê ô.”(Jaime Sodré é doutorando em História Social,professor, poeta, compositor e religioso do candomblé.)
http://mundoafro.atarde.com.br/?p=661

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Mesmo antes de seu nascimento, a vida de Florbela Espanca já estava marcada pelo inesperado, pelo dramático, pelo incomum. Seu pai, João Maria Espanca era casado com Maria Toscano. Como a mesma não pôde dar filhos ao marido, João Maria se valeu de uma antiga regra medieval, que diz que quando de um casamento não houver filhos, o marido tem o direito de ter os mesmos com outra mulher de sua escolha. Assim, no dia 8 de dezembro de 1894 nasce Flor Bela Lobo, filha de Antónia da Conceição Lobo. João Maria ainda teve mais um filho com Antónia, Apeles. Mais tarde, Antónia abandona João Maria e os filhos passam a conviver com o pai e sua esposa, que os adotam.
Florbela entra para o curso primário em 1899, passando a assinar Flor d’Alma da Conceição Espanca. O pai de Florbela foi em 1900 um dos introdutores do cinematógrafo em Portugal. A mesma paixão pela fotografia o levará a abrir um estúdio em Évora, despertando na filha a mesma paixão e tomando-a como modelo favorita, razão pela qual a iconografia de Florbela, principalmente feita pelo pai, é bastante extensa.
Em 1903, aos sete anos, faz seu primeiro poema, A Vida e a Morte. Desde o início é muito clara sua precocidade e preferência a temas mais escusos e melancólicos. Em 1908 Antônia Conceição, mãe de Florbela, falece. Florbela então ingressa no Liceu de Évora, onde permanece até 1912, fazendo com que a família se desloque para essa cidade. Foi uma das primeiras mulheres a ingressar no curso secundário, fato que não era visto com bons olhos pela sociedade e pelos professores do Liceu. No ano seguinte casa-se no dia de seus 19 anos com Alberto Moutinho, colega de estudos.
O casal mora em Redondo até 1915, quando regressa à Évora devido a dificuldades financeiras. Eles passam a morar na casa de João Maria Espanca. Sob o olhar complacente de Florbela ele convive abertamente com uma empregada, divorciando-se da esposa em 1921 para casar-se com Henriqueta de Almeida, a então empregada.
Voltando a Redondo em 1916, Florbela reúne uma seleção de sua produção poética de 1915 e inaugura o projeto Trocando Olhares, coletânea de 88 poemas e três contos. O caderno que deu origem ao projeto encontra-se na Biblioteca Nacional de Lisboa, contendo uma profusão de poemas, rabiscos e anotações que seriam mais tarde ponto de partida para duas antologias, onde os poemas já devidamente esclarecidos e emendados comporão o Livro de Mágoas e o Livro de Soror Saudade. Regressando a Évora em 1917 a poetisa completa o 11º ano do Curso Complementar de Letras, e logo após ingressa na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Após um aborto involuntário, se muda para Quelfes, onde apresenta os primeiros sinais sérios de neurose. Seu casamento se desfaz pouco depois.
Em junho de 1919 sai o Livro de Mágoas, que apesar da poetisa não ser tão famosa faz bastante sucesso, esgotando-se rapidamente. No mesmo ano passa a viver com Antônio Guimarães, casando-se com ele em 1921. Logo depois Florbela passa a trabalhar em um novo projeto que a princípio se chamaria Livro do Nosso Amor ou Claustro de Quimeras. Por fim, torna-se o Livro de Soror Saudade, publicado em janeiro de 1923.
Após mais um aborto separa-se pela segunda vez, o que faz com que sua família deixe de falar com ela. Essa situação a abalou muito. O ex-marido abriu mais tarde em Lisboa uma agência, “Recortes”, que enviava para os respectivos autores qualquer nota ou artigo sobre ele. O espólio pessoal de Antônio Guimarães reúne o mais abundante material que foi publicado sobre Florbela, desde 1945 até 1981, ano do falecimento do ex-marido. Ao todo são 133 recortes.
Em 1925 Florbela casa-se com Mário Lage no civil e no religioso e passa a morar com ele, inicialmente em Esmoriz e depois na casa dos pais de Lage em
Matosinhos, no Porto. Passa a colaborar no D. Nuno em Vila Viçosa, no ano de 1927, com os poemas que comporão o Charneca em Flor. Em carta ao diretor do D. Nuno fala da conclusão de Charneca em Flor, e fala também da preparação de um livro de contos, provavelmente O Dominó Preto.
No mesmo ano Apeles, irmão de Florbela, falece em um trágico acidente, fato esse que abalou demais a poetisa. Ela aferra-se à produção de As Máscaras do Destino, dedicando ao irmão. Mas então Florbela nunca mais será a mesma, sua doença se agrava bastante após o ocorrido.
Começa a escrever seu Diário de Último Ano em 1930. Passa a colaborar nas revistas Portugal Feminino e Civilização, trava também conhecimento com Guido Batelli, que se oferece para publicar Charneca em Flor. Florbela então revê em Matosinhos as provas do livro, depois de tentar o suicídio, período em que a neurose se agrava e é diagnosticado um edema pulmonar.
Em dois de dezembro de 1930, Florbela encerra seu Diário do Último Ano com a seguinte frase: “… e não haver gestos novos nem palavras novas.” Às duas horas do dia 8 de dezembro – no dia do seu aniversário Florbela D’Alma da Conceição Espanca suicida-se em Matosinhos, ingerindo dois frascos de Veronal. Algumas décadas depois seus restos mortais são transportados para Vila Viçosa, “… a terra alentejana a que entranhadamente quero”.
OBRAS
Livro de Mágoas (1919),
Livro de Sóror Saudade (1923),
Charneca em Flor (1930),
Reliquae (1931),
A Máscara do Destino e Dominó Negro (contos).
OS TEMAS
1- A dor e a ansiedade
Florbela Espanca parece-se muito com Antero. Ambos procuraram no mundo a
felicidade com que sonharam, e em vão. Todavia , a dor de Antero é
metafísica, é uma dor que se preocupa com problemas transcendentes: a
razão das coisas, o destino das coisas, o futuro de tudo, sobretudo o
futuro. Florbela preocupa-se mais com o presente, com o que é terreno e
lhe pode causar gozo e dar alegria, com o amor sensível, principalmente
com o amor. Quer dizer: a Antero doeu-lhe a inteligência; a Florbela, o
coração.
a) Um temperamento vulcânico.
Nas poesias de Florbela encontra-se uma intensa vibração erótica feminina.
É uma egotista sui generis, que não oculta flagrantes indícios de
narcisismo.
Às vezes, grita, pletórica de histerismo:
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar! Aqui... Além...
Mais este e aquele e outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém.
Outras vezes — quem o havia de dizer? — este tumultuar de paixões acalma e
ela desejaria encontrar o seu paraíso perdido e queria então:
ser a moça mais linda do povoado;
pisar sempre contente o mesmo trilho;
ver descer sobre o ninho aconchegado
a benção do Senhor em cada filho;
............
ser pura como a água da cisterna;
ter confiança numa vida eterna,
quando descer à terra da verdade.
b) A solidão.
A poetisa queixa-se a miúdo de estar só. Não foi de facto compreendida.
Convenceu-se de que o mundo teria de ser à sua volta um arraial festivo,
quando ele não passa afinal de um vale de lágrimas. Quis que os outros se
sujeitassem aos seus caprichos e volubilidades, mas ninguém lhe podia
aturar os nervos e a altivez. Isolou-se então cada vez mais:
Altiva e couraçada de desdém,
vivo sozinha em meu castelo: a dor!
Passa por ele a luz de todo o amor...
E nunca em meu castelo entrou alguém!
...........
Neste triste convento aonde eu moro,
noites e dias rezo e grito e choro,
e ninguém ouve... ninguém vê ...ninguém!
Mas esta solidão resulta de se não sentir amada:
Vejo-me triste, abandonada e só
bem como um cão sem dono e que o procura,
mais pobre e desprezada do que Jó
a caminhar na via da amargura!
Judeu errante que a ninguém faz dó!
Minh'alma triste, dolorida e escura,
minh'alma sem amor é cinza e pó,
vaga roubada ao Mar da Desventura!
c) O desespero.
Não tardou muito que Florbela, cada vez mais só, se desse conta de que
procurava inutilmente a felicidade na terra. Um após outro, todos os
sonhos se lhe desfaziam nas mãos como bolas de sabão. E cansou-se de
esperar por melhores dias:
Maria das Quimeras, que fim deste
às flores de oiro e azul que a sol bordaste,
aos sonhos tresloucados que fizeste?
Pelo mundo, na vida, o que é que esperas?...
Aonde estão os beijos que sonhaste,
Maria das Quimeras, sem quimeras?
d) O regresso ao nada.
A solidão, o desespero, o desengano levaram-na ao desejo da morte:
Morte, minha senhora Dona Morte,
............
fecha-me os olhos que já viram tudo!
Prende-me as asas que voaram tanto!
A morte não lhe seria tão dura, se, para além dela, visse Deus.
Acreditaria em Deus? Fala nEle a cada passo. Chega mesmo a formular
algumas preces:
Meu Deus, dai-me esta calma, esta pobreza...
Diz até que o procurou:
Quem me dirá, se lá no alto, o céu
também é para o mau, para o perjuro?
Para onde vai a alma que morreu?...
Queria encontrar Deus! Tanto o procuro!
2- O seu Alentejo
Poucos escritores souberam retratar tão fielmente como Florbela Espanca a
alma da planície alentejana. É que a planície, com a infinidade de seres
que nela se movimentam, incarnou na sua personalidade.
Estátua de Florbela Espanca no Parque dos Poetas, em Oeiras



para vc ...com carinho e amor..

Os versos que te fiz
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
Florbela Espanca



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Material retirado do site oficial de Mercedes Sosa e traduzido pelo próprio Google.


O começo...
HAYDEE MERCEDES SOSA nascida em San Miguel de Tucumán, 9 de julho de 1935, em uma casa humilde. Naqueles anos, teve seu apego a populares expressões artísticas. Recém-saída da adolescência, ela gostava de dançar e ensinar danças folclóricas. Ela também cantou.
Em outubro de 1950, debutante, impulsionada pelo entusiasmo de um grupo de amigos inseparáveis, eram encorajados a participar num concurso organizado pelo Lv12 radial de Tucumán. Oculta por trás do pseudônimo de Gladys Osorio, sua qualidade como cantora principiante teve êxito em um concurso cujo prêmio era uma ação de contrato por dois meses na estação. Era o começo ...

As novas músicas
Uma década depois, quando houve uma espécie de explosão em torno da música folk, meramente consultiva, o nome do Mercedes Sosa estava comprometido com a canção popular como parte de Movimento da Nova Songbook, a renovação atual do folclore, nascida na província de Mendoza, que propunha a anulação do modas, para colocar o acento sobre a vida quotidiana do homem da Argentina, com suas alegrias e tristezas.
Entre os artistas fundadores e promotores deste movimento tivemos, Armando Tejada Gomez, Tito Manuel Oscar Matus e França.
Suas habilidades artísticas foi uma surpresa para um público acostumado a outra coisa. Junto com seu marido Manuel Oscar Matus, fez shows na Universidade. Outras fases de começar a receber encorajadora, Matus em um selo independente lançou o primeiro disco Mercedes Sosa: "Canciones con fundamento".
Para esta opção, a cantora teve de azáfama vários anos antes de alcançar o reconhecimento como o obtido no Festival Nacional de Folclore de Cosquín em 1965, quando, graças à generosidade do cantor Jorge Cafrune, o país inteiro foi capaz de atender a essa maravilhosa cantora argentina e foi a ocasião que marcou o nascimento da grande artista que sempre mereceu ser popular. Depois foram as suas condições de inegável que lhe permitiu tornar-se a grande figura que hoje aplaudido no mundo inteiro.
Também em 1965 interveio na gravação "Romance de la muerte de Juan Lavalle" por Ernesto Sabato e Eduardo Falu, cantando "Palomita del valle".
Em março de 1966, era conhecida "Yo no canto por cantar". Com antologias hoje uma dúzia de canções, entre as quais foram "Canción del derrumbe indio", "Canción para mi América", "Chayita del vidalero", "Los inundados", "Zamba para no morir", "Tonada de Manuel Rodríguez" e "Zamba al zafrero". Tal foi a aceitação do registro, que em apenas sete meses depois, em outubro, foi convidada para gravar um outro que apareceu sob o título "Hermano".
Em 1967, "La Negra" divulgadas "Para cantarle a mi gente", um registro que acumulou uma riqueza da Argentina e da poesia latino-americana.
Em abril daquele ano, tinha cativado o público na Europa e nos Estados Unidos, com apresentações de sucesso em Miami, Lisboa, Porto, Roma, Varsóvia, Leningrado, Kislov, Sochi, Gagri, Baku e Tbilisi. Durante essa turnê ela conheceu Ariel Ramirez, que propôs, de imediato, ser a voz das "Mujeres Argentinas", basta dar trabalho concreto em 1969, após o aparecimento do "Zamba para no morir", uma compilação com as questões de maior importância até agora registados, e "Con sabor a Mercedes Sosa", que primeiro relatou "Al jardín de la República".

Década de 70
Em 1970 ela participou do filme "El Santo de la Espada" por Leopoldo Torre Nilsson e lançou dois álbuns importantes em sua carreira: "El grito de la tierra" e "Navidad con Mercedes Sosa". Durante este período, ela gravou, entre outros, "Canción con todos" e "Cuando tenga la tierra", e Daniel Petrocelli Ariel Toro e o belo "La Navidad de Juanito Laguna" de "Cuchi" Leguizamon e Manuel J. Castela.
Em 1971 ela conheceu "La voz de Mercedes Sosa" e apareceu "Homenaje a Violeta Parra", um álbum que reúne cerca de uma dúzia de questões a grande protagonista da canção popular chilena. Foram este ano também "Güemes" (La tierra en armas), dirigido por Leopoldo Torre Nilsson. Em um breve mas significativo papel, encarna a heroína do Alto Peru Joan Azurduy.
Em 1972 editou "Hasta la victoria", um álbum cheio de canções repleto de conteúdo social e político. Houve momentos em que poucos compositores e cantores como Mercedes Sosa não podiam ficar de fora do compromisso e militância, porque eles queriam trabalhar juntos para um mundo mais justo e equitativo. Também nesse ano teve a sua voz para o "Cantata Sudamericana" com música de Ariel Ramirez e Felix Luna letras.
Quando foi sugerida a gravação "Mujeres Argentinas", o país vivia sob o peso de um regime militar e Mercedes tal como muitos argentinos, sofreram as conseqüências: as suas canções não foram transmitidos na Rádio Nacional, uma estação de governo.
Hard Times
"Mercedes Sosa" e "Traigo un pueblo en mi voz", apareceu em 1973, ano do retorno à democracia e perturbados prólogo de um momento difícil e violento. Mercedes continuou na mesma linha do seu trabalho anterior e gravou com alguns problemas que enfrentou a realidade americana.
Em 1975 ele publicou "A que florezca mi pueblo".
Em agosto de 1976 um ano crucial para a Argentina, foi lançado "Mercedes Sosa", um trabalho que resgatou poetas argentinos e latino-americanos como o chileno Victor Jara e Pablo Neruda, peruanos e Alicia Maguiña e o cubano Ignacio Villa "Bola de Nieve".
No ano seguinte, em 1977, "La Negra" fez uma homenagem a um dos grandes compositores e cantores populares com argentinos "Mercedes Sosa interpreta a Atahualpa Yupanqui". O clima político do país era cada vez mais se sentia mais opressivo.
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Exilio
Em 1979, editou "Serenata para la tierra de uno". Mesmo em meio à violência que abalou o país, Mercedes ainda estava cantando para a vida. O assédio e a cerca que foi formado em torno dela e foi forçada ao exílio. Naquele ano, foi presa na cidade de La Plata, em conjugação com o público que tinham vindo para vê-la. Naquele mesmo ano, mudou-se para Paris em 1980 e estabeleceu-se em Madrid.
Em teoria, Mercedes Sosa podia entrar e sair do país, não teve nenhum caso legal, mas não podia cantar. Foi uma dupla punição: para si e para todos os argentinos. Em um país onde a vida humana não valia nada, e centenas delas foram perdidos na escuridão das masmorras, os usurpadores do poder de pensamento que a música foi perigoso. Então tiveram que silenciar os cantores, como uma forma de calar as pessoas.
O retorno
"La Negra" pode regressar ao estádio da Argentina, em 18 de fevereiro de 1982, alguns meses antes da ditadura embarcou na Guerra das Malvinas. O regime militar que, de pouco mais de cinco anos sofreu o país começou a agonizar. No Teatro Opera de Buenos Aires fez mais de uma dezena de concertos.
Com essas ações como esperado, Mercedes não só redescobriu seu público habitual, mas não o viu primeiro milhares de jovens, desde então, feita também em "seu ídolo". Desses treze concertos no Teatro Opera foi o LP duplo "Mercedes Sosa en Argentina", que também envolveu seus companheiros, Leon Gieco, Charly García, Antonio Tarragó Ros, Rodolfo Mederos e Ariel Ramirez.
Após o ciclo, no Teatro da Ópera, Mercedes retornou à Espanha, onde foi localizado, mais uma vez a meio do ano para os Estados Unidos para apresentar o seu álbum "Gente humilde" é para uma série de concertos nas principais cidades do Brasil. Pouco tempo depois ele voltou para a Argentina. Nesse mesmo ano, fez saber "Como um pássaro livre"Um belo disco que inclui temas das autoridades tradicionais e outros jovens.
O cantor continua sua turnê nos mais diversos países do mundo, agindo em locais de maior e mais prestigiado como o Lincoln Center, Carnegie Hall, nos Estados Unidos ou o Mogador, em Paris.
No último trimestre de 1983, era conhecida "Mercedes Sosa", Um álbum em que gravou várias canções que seriam alguns dos seus maiores sucessos: "Un son para Portinari" e "Maria Maria". Também na placa lembrava as gravações: "Inconsciente coletivo", De Charly Garcia "La maza" e "Unicornio" por Silvio Rodriguez "Corazón maldito" por Violeta Parra e "Me voy pa'l mollar", junto com a cantora Margarita Palacios.

Democracia
Em 1984, ele viveu a euforia do retorno à democracia depois da ditadura e da guerra. Mercedes retornado para o disco "¿Será posible el sur?", Que liga a esperança de canções, ritmos e canto popular latino-americano. Em 21 de Dezembro, juntamente com Leon Gieco e Milton Nascimento, estrelou o show chamado "Corazón americano", Que chamou uma multidão raramente atendidas.
1985 foi um ano duplamente importante. Do ponto de vista da gravação, Mercedes voltou a receber um impulso de compositores argentinos "Vengo a ofrecer mi corazón", que momento decisivo como as canções gravadas por Fito Paez, que dá título ao trabalho, mas também "Razón de vivir" e "Madre de madres", Victor Heredia, "Entre a mi pago sin golpear" por Carlos Raúl y Pablo Carabajal Trullenque, "Canción para Carito" por Antonio Tarrago Ros e Leon Gieco.
Conhecido "Corazón Americano", gravado ao vivo no ano passado durante a ação realizada junto com Leon Gieco Milton Nascimento.
No primeiro semestre de 1986, fez uma extensa turnê pela Alemanha e Europa Central. Em agosto, "Lisneer Auditorium" de Washington," o Teatro de la Corte, Central Park, Nova York, "Teatro Auditorium Lakeview", Chicago. Alemanha: Hamburgo, Munique, Stuttgart, Dreieich e Erlangen. Rotterdam, Holanda Atenas, Grécia. 25 concertos no Brasil. É publicada "Mercedes Sosa '86", que interveio como convidado bandoneonista Leopoldo Federico e grupo Markama. É um álbum que é dominado ritmos argentinos.
Aparece "Mercedes Sosa '87" , no qual incluiu dez músicas e foi assistido por Pablo Milanes, Teresa Parodi, Víctor Heredia e Fito Paez. Nesse mesmo ano, durante dois meses e meio, ele visitou a Suíça, a Alemanha Ocidental, Noruega, Suécia, Holanda, Estados Unidos, Porto Rico, República Dominicana e México. As atividades mais importantes foram, sem dúvida, em Contcergebouw, Amsterdã e no Carnegie Hall em Nova York, onde seu desempenho foi saudado com uma ten-ovação minutos.
Em 1988, ela interveio no ciclo "Los grandes en vivo". Foi publicado "Amigos míos", um álbum compilado Mercedes Sosa cantou com Milton Nascimento, Pablo Milanés, Teresa Parodi, Charly Garcia, Fito Paez e Raimundo Fagner, entre outros.
Como produtora, organizou uma das mais importantes mostras já apresentada na Argentina: "Sin Fronteras", onde se reuniram no estádio Luna Park de Buenos Aires, sete cantores latino-americanos: Teresa Parodi e os argentinos Silvina Garre, Leonor González Mina colombianos, venezuelanos Lilia Vera, Beth Carvalho brasileiros e mexicanos Amparo Ochoa, para além da Mercedes.
No final de julho de 1989, "La Negra" recebida por Pierre Decamps, o embaixador francês na Argentina recebeu a Medalha da Orden del Comendador de las Artes y las Letras, concedido pelo Ministério da Cultura da República Francesa.

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Uma nova etapa
Em 1990 apareceu um disco intitulado "Mercedes Sosa en vivo en Europa" participou no filme "Verano del potro", Tocando o tema "Siempre en ti". Ela realizada na Austrália, Grécia, Holanda, Alemanha, Luxemburgo, Suíça, França e Brasil, e também estrelou em noites inesquecíveis no Luna Park, com atores e um grande grupo de vocalistas convidados. Em dezembro, encerrou o ano com duas apresentações para sala lotada no Grand Rex, no ciclo "Creativa 90" também acompanhado por muitos músicos convidados. Com o registo dessas noites, foi editada "De mí", apareceu em novembro do próximo ano.
Em 20 de dezembro de 1991, após quase dez anos sem cantar em um estádio aberto, Mercedes reuniu-se com a multidão no Ferro Carril Oeste. Ela estava acompanhada de Fito Paez, Zenko Julia, Nito Mestre, Piero, Celeste Carballo, a Sheryl Crow, Leon Gieco, Charly Garcia, Victor Heredia, Mariano Mores, Facundo Ramirez, Horacio Molina, Coqui Sosa e Cláudio e Hamlet Lima Quintana. Mais de 15.000 pessoas em pouco mais de duas horas de show.
Em 1 de Abril de 1992, no Salón Dorado del Honorable Concejo Deliberante, foi declarada Cidadão Ilustre de Buenos Aires. Foi importante para um ano Mercedes, marcada por sua viagem ao Chile, onde cantou na Quinta Vergara, Viña del Mar e no Estádio Chile, Santiago. Foram três apresentações carregadissimas de emoções.
No início de 1993 cruzou a Cordilheira dos Andes novamente participou do Festival Internacional de Viña del Mar, onde, como tantas vezes fez, organizou um grupo de importantes cantores argentinos, entre eles Julia Zenko, Víctor Heredia e Teresa Parodi. Posteriormente, ela apareceu em várias cidades chilenas.
Editou também "Sino" um prato em que ela dividia a produção artística com Fito Paez e participou da trilha sonora do filme "Convivencia", cantando uma canção com Pablo Milanés e uma com o extinto Roberto Goyeneche. Em novembro do mesmo ano, publicou uma coletânea intitulada "Mercedes Sosa, 30 años", que reuniu uma dúzia de canções gravadas por várias ocasiões por "La Negra".
Em Novembro de 1994 apareceu "Gestos de amor" um de seus mais recente álbum, tão bem recebido pelo público, que rapidamente a levou a ser agraciada com a platina.
Em meados do próximo mês, representado as vozes da Argentina e da América, no segundo concerto de Natal realizado na Sala Nervi, no Vaticano. Foi o mais aplaudido no show feito para o Vicariato de Roma, que, entre outros, o tenor espanhol Alfredo Kraus ea soprano Renata Scotto.
Poucos dias antes, em dois dias memoráveis, foi o solista para o "Misa Criolla ", Apresentada, de um coro de cerca de 600 almas no magnífico Frank Romero Day Ampitheater, a cidade de Mendoza e foi testemunhado por mais de 30.000 espectadores. Ele fechou o ano com duas apresentações no Luna Park.
Em janeiro de 1995, depois de participar no Festival Internacional de Mar del Plata interveio no "Americanto" feita em Mendoza. A meados do ano, visitou o Chile, iniciando uma "tournée" que a levaria para a Costa Rica, El Salvador, Honduras, Panamá e Uruguai.
Em agosto daquele ano, cerca de duas mil pessoas responderam ao chamado da série "Maestros del Alma" proporcionaram uma calorosa homenagem ao Mercedes Sosa , naquela noite, ela ouviu o testemunho do afeto crescente do público e do tema de seus colegas músicos, como Julia Zenko, Peteco Carabajal e Victor Heredia, entre muitos outros. Mais tarde, ela visitou diversas cidades do Brasil, incluindo São Paulo, Belo Horizonte, Florianópolis e Porto Alegre.
Algum tempo depois, ela fez duas aparições de sucesso em San Juan, Porto Rico, que se tornou o prólogo de uma extensa turnê E.U. em novembro passado, que começou em Zellenbach Hall - Performance Arts Center of Cal Berkeley, San Francisco. Depois, seguiu dois concertos consecutivos no Teatro Wadsworth - UCLA Los Angeles, Califórnia, e apresentações no Bass Concert Hall Austin, Texas, no Jackie Gleason Theater for the Performing Arts, em Miami, Flórida no centro de Kennedy para o Performing Arts, Washington, no Avery Fisher Hall - Lincoln Center em Nova York no Symphony Hall de Boston, Massachusetts e no Queen Elizabeth Vancouver, Columbia Britânica. Ela esteve em Lima, e depois em dois concertos realizados em La Paz, Bolívia.
Em dezembro de 1995, foi editada "Mercedes Sosa - Oro, uma compilação de 17 faixas gravadas entre 1969 e 1994. O repertório deste trabalho claramente desenha o perfil da grande artista popular.
Em um ano completo de actividade artística em 1995, não falta tempo para estar perto de seus colegas músicos. Solidariedade, não só defende a necessidade de união dos músicos argentinos, mas prega por exemplo. Falando com a sua voz nas gravações de discos de Maria Graña, Peteco Carabajal, trovadores, Alejandro Dolina, Lito Vitale, Victor Heredia, Lagos e Eduardo. Ela também cantou ao vivo e fez apresentações teatrais com Pajarín Coqui Saavedra, Victor Heredia, Liliana Herrero e Peteco Carabajal.
"La Negra", Unanimemente reconhecida como a dona de uma das vozes mais importantes do mundo, lançou em 1966 um trabalho intensivo. Nos primeiros meses, fez uma excursão que a levou a visitar o local de várias províncias argentinas, as cidades e festivais Diamond (Entre Rios); Villa Maria e Villa Allende (Córdoba) e em seguida, um desempenho em Conceição (Chile), sancionada em janeiro, com encerramento daquela noite inesquecível XXXVI Festival Nacional de Folclore Cosquín. Uma noite que ainda persiste nas mentes de muitos, que vibrou com o canto do nosso Tucumán.
Depois de Cosquín, em Fevereiro e Março, tiveram as apresentações em Rosario (Santa Fe); Pontuação, Baradero e Mar del Plata (Província de Buenos Aires); Villa Carlos Paz e Lions (Cordoba); Tunuyán (Mendoza), Chilecito (La Rioja), Punta Arenas e Santiago (Chile). A turnê de verão terminou com duas apresentações no Assunção (Paraguai), com a presença do compositor e ator Charly Garcia como artista convidado.
No início de abril, voltou ao estúdio para gravar "Hidden no meu país", Seu novo álbum, com um repertório folk distintamente de grande impacto público. Poucos dias depois de terminar o seu trabalho em Buenos Aires, realizou um show de grande sucesso nas Ilhas Canárias. Em meados dos anos seguidos shows no Brasil e performances mais tarde, no Equador, Uruguai e algumas cidades do Canadá E.U..
No segundo semestre de 1996, fez a apresentação no Teatro Ópera, em Buenos Aires dos itens no seu disco rígido "Escondido en mi país". Cinco concertos com uma audiência, casa cheia animado sobre este "banho de folclore", como alguns críticos disseram. Pouco depois de uma série de ações finalizadas pelos Estados Unidos, Canadá e Porto Rico, onde em 20 de outubro fez um show memorável. Após essa viagem cansativa passou a trabalhar integralmente no registro que ele gravou com questões Charly García.
Iniciado em 1997 participaram da XXXVII Festival de Folclore de Cosquín como sendo convidada de Charly Garcia. Foi um verdadeiro acontecimento musical que marcou um marco na história deste evento popular.
Depois de um desempenho, no Paraguai e no Festival Nacional Tonada de Tunuyán, Mendoza, Mercedes fechou o ciclo na capital da Argentina em "Buenos Aires Vivo" organizado pelo Ministério da Cultura da cidade diante de uma multidão estimada em 120.000 espectadores, com a participação de vários artistas convidados, incluindo Charly Garcia e Chango Farias Gomez.
Em março de 1997 ele participou do conclave internacional chamado "Rio + 5", em falar na sua qualidade de vice-presidente do Conselho da Terra em representação da América Latina, com o objectivo de intervir na elaboração do "Carta de la Tierra", um documento equivalente à Declaração Universal dos Direitos Humanos, para definir um sistema operacional de valores que orientam o nosso comportamento, nossas relações e esforços de desenvolvimento.
Então MERCEDES SOSA viajou para Bogotá, na Colômbia, onde fez em conjunto com Charly García y Fito Paez um show no estádio maciça El Campin.
Em 8 de julho, às vésperas de seu aniversário, ele cantou na cidade de Salta e uma semana mais tarde, dia 11, 12, 13 e 15 de julho, Deu quatro concertos no TEATRO OPERA , Buenos Aires, na qual, além das canções puramente folk, tocou algumas músicas novas teve a presença de vários artistas convidados como Victor Heredia, Zenko Julia, Claudio Sosa, Horacio Molina, Coqui Sosa, Irene Angela, Pocho Sosa com a participação especial de Charly Garcia.
Após essas ações e durante os próximos dezoito meses "La Negra" não cantou esse repertório em Buenos Aires.
Em julho atrasado, finalmente se encontraram "High Fidelity. Mercedes Sosa canta Charly Garcia". A expectativa do público, ansioso para saber o resultado deste trabalho conjunto, disse que o entusiasmo dos dois protagonistas deste trabalho foi um marco na discografia de ambos, e em latim música popular americana.
Depois de muitos meses de trabalho duro foi concluída. Gravado em Madri, Nova York e Buenos Aires, "High Fidelity. Mercedes Sosa canta Charly Garcia" reúne uma dúzia de canções: "Cuchillo", "Promesas sobre el bidet", "Rezo por vos", "Como mata el viento norte",
"Cuando ya me empiece a quedar solo", "Hablando a tu corazón", "Los sobrevivientes",
"El tuerto y los ciegos", "De mí", "Cerca de la revolución", "Siempre puedes olvidar" y
"Plateado sobre plateado (huellas en el mar)" criado pelo músico talentoso bigode bicolor, exceto "Rezo por vos", compõe, juntamente com Luis Alberto Spinetta e "Siempre puedes olvidar", Fabiana Cantilo.
Neste trabalho, exceto músicos notáveis ter trabalhado como: Pedro Aznar, Bernard Baraj, Juan Bellia, Andrés Calamaro, Alejandro De Raco, Erica Di Salvo, Ulises Di Salvo, Ciro Fogliatta, Maria Gabriela Epumer Ruben Georgis, Pablo Guadalupe, Belém Guerra, Grayscale, Ruben Wolf, Nito Mestre, Migue, Rinaldo Rafanelli, Rodolfo Ruiz, Gabriel disse, Mario Serra o argentino e grande ator Alfredo Alcon que colocou sua voz em "Los sobrevivientes".
Ao longo de sua brilhante carreira artística, para além das distinções acima, Mercedes Sosa cidadania honorária de Tucumán, recebeu a Ordem do Mérito da República Federal da Alemanha, a Medalha de Mérito Cultural do Equador, a Universidade Nacional Badge San Marcos, Peru, em reconhecimento de seus 30 anos de difusão da música latino-americanos, o prêmio ACE 1993 para o seu LP "Sino" e Martin Fierro 1994 e melhor show musical na televisão.
Durante 1995 Mercedes Sosa recebeu vários prêmios e honrarias. Entre eles, CAMU-Grande Prêmio UNESCO 1995Concedido pelo Conselho Argentino de Música e da Secretaria Regional da América Latina e Caribe, o Conselho Internacional de Música da UNESCO, a UNIFEM Award, Agência das Nações Unidas que distinguiu-lo, pouco antes de sua performance no Lincoln Center em Nova York por seu trabalho de defesa dos direitos das mulheres; Konex de Platina em 1995 Melhor Cantora de Folclore e Konex as melhores pessoas da Década. Também nesse ano, ela recebeu o elogio de ser incluído no Secretário-Geral das Nações Unidas Conferência Mundial sobre a Mulher PoliticNa coleção de discos chamada "Global Divas".
Este trabalho, que inclui "Gracias a la vida" cantado por Mercedes Sosa, reuniu algumas das vozes mais importantes do mundo de todos os tempos, entre os quais Edith Piaf, Marlene Dietrich, Amalia Rodrigues, Lucha Reyes, Miriam Makeba, Celina Gonzalez, Marian Anderson, Aretha Franklin, Elis Regina Maria Bethânia e Gal Costa.
Em Julho de 1996 em Porto Alegre, Brasil, recebeu do governo do Estado do Rio Grande do Sul a Medalha Simões Lopes Neto, em honra do seu mérito pessoal e artística ao serviço da unidade dos povos.
Em 4 de Outubro de 1996, na cidade alemã de Aquisgrana, foi premiado com o CIM-UNESCO 1996 Conseil International de la Musique - UNESCO, com sede na cidade de Paris, na França, para músicos de todo o mundo que se destacaram pessoalmente e profissionalmente.
Este prémio foi instituído em 1975, é recompensar os músicos e instituições musicais de que, com suas obras ou atividade tenham contribuído para o enriquecimento e desenvolvimento da música e da paz servido, de compreensão entre os povos, a cooperação internacional e outros fins proclamados pela Carta das Nações Unidas e do Acto Constitutivo da UNESCO.
Mercedes Sosa disse em sua apresentação ao Conselho Internacional de Música assim, "O júri decidiu conceder o prêmio não só para a sua brilhante carreira, mas também em reconhecimento à sua grande valores morais e éticos que mostrou durante os anos sombrios da Argentina reuniu pela preocupação que tem sido a de promover constantemente a defesa dos direitos humanos ".
Poucos dias antes, na sede do Consulado Geral da Argentina em Nova York, Mercedes Sosa recebeu uma outra distinção, desta vez do Inter-musical americana Conselho da Organização dos Estados Americanos (OEA). Diante dos representantes de todos os países da América Latina, recebeu um Diploma de Honra, em reconhecimento da sua carreira.
Em 9 de Dezembro de 1996, o Congresso Nacional, as pessoas em todo o país, através de seus legisladores, pagou-lhe tributo, como a "personalidade da cultura nacional, para a sua carreira artística valiosa em defesa da música popular". Naquela noite, um grupo de músicos folk argentino se juntou com a contribuição de sua arte o gesto dos deputados. Eles apareceram e ofereceram o melhor de cada um: Peteco Carabajal, Veronica Condomi, Coqui, Claudio e Pocho Sosa, Liliana Vitale, Rodolfo Mederos, Federico de la Vega, Chango Farias Gómez, Victor Heredia, Leon Gieco e Charly Garcia, que teve a sua versão criativa do Hino Nacional Argentino com o que ele fez experimentar um momento de profunda emoção em Mercedes e não somente nela, mas também em todos aqueles que acompanharam o evento através da rádio e da televisão.
No início de março de 1997, entrado para o seu disco rígido "Escondido en mi país", ACE (Asociación de Cronistas del Espectáculo) de Melhor Disco de Folclore.
continua...

continuação...

Hoje
Um pouco do final do milênio, totalmente recuperado de sua doença, ainda ativa. Durante 1998 ela apresentou seu novo álbum "Despertar", de grande efeito. Este álbum marca uma união de uma Mercedes cheia de músicas e sons com suas próprias raízes folk. Com grande impacto percorreu o país, fazendo um grande impacto e adesão do público e da crítica.
Em 1999, incorpora as turnês internacionais intensa de outros anos. Alternando com espectáculos maciço na Argentina, ela cantou no México, Guatemala, El Salvador e outros países da América Central. Em julho ela acompanhou Charly Garcia em um show de rock antes do público na Cidade do México, e entre setembro e outubro fez uma visita importante da Inglaterra, Israel, Alemanha, Suíça, Áustria e Holanda. Logo depois, no México, os principais líderes do UNICEF deram-lhe as credenciais de Embaixadora da Boa Vontade uma organização da América Latina e Caribe.
O ano de 2000 Mercedes termina um projecto há muito esperado: a interpretação e gravação "Misa Criolla" uma obra-prima do folclore argentino. Mercedes faz uma versão de profundidade, elegância e beleza. O mundo musical recebe esta definição com excelentes críticas e comentários. O significado da mesma faz com que a nível internacional com tal força e empenho que começa a colher recompensas e reconhecimento muito importante como o prêmio Grammy, pela melhor interpretação de uma obra musical. Um grande feito, especialmente considerando que os estágios finais da mesma, participaram artistas muito importantes internacionais.
Em 2001 Mercedes oferece uma série de concertos ao vivo no Teatro Gran Rex, em Bs chamado "Acústico" com a obtenção de um impacto mais dramático no art. Estas performances emotivas foram refletidas em uma edição do disco duplo de mesmo nome do show "Acústico". Pode ser visto nas versões de canções memoráveis rejuvenescido e clássicos do repertório de Mercedes, com um som acústico, jogada excepcional pela sua banda de músicos.
Com o "Acústico" embarca mais uma vez, turismo nacional e no exterior: Europa, América Latina, América Central e América do Norte.
No final de 2002, é talvez um dos jogos mais esperados por fãs e amantes da música popular de nossa terra: Mercedes Sosa - Victor Heredia y León Gieco. Juntos, eles começam um projeto de arte musical chamado "Argentina quiere cantar". O enorme sucesso desses shows é momentaneamente interrompida por problemas de saúde na Mercedes, mas em abril de 2003 foi reiniciado com grandes expectativas.
Após dois anos de ausência do palco, em Setembro de 2005, a Mercedes Sosa coube colocar os seus melhores esforços para superar alguns contratempos médicos.
Ele apareceu na série de concertos Música na Sala Branca Casa de Governo da Argentina para uma platéia de 150 pessoas, mas com uma audiência de um milhão de espectadores.
Depois, em novembro, este concerto foi a abertura do Encontro da Música províncias em um concerto ao ar livre antes de 8.000 espectadores.
Já em dezembro, com início de retorno do tour, 14 cantou para uma platéia de 120 espectadores no Abate de Cabaret, a preparar o concerto de 21 em sua província natal, Tucumán, para uma platéia de 20.000 fãs em Praça da Independência.
Também em Setembro de 2005 foi organizado o lançamento de seu mais recente álbum CORAZON LIBRE livro, publicado pela Agência Internacional de etiqueta Deutsche Grammophon, em todo o mundo simultaneamente. Com este álbum folk e acústico, a Mercedes levou este trabalho em toda a Europa, nas Américas, Israel, Japão, Coreia, Singapura, Austrália, Nova Zelândia e, pela primeira vez em sua carreira para a China.
Este novo álbum foi o mais enfático elogio da crítica, Magazine Rolling Stones Stone escolheu como o melhor álbum folk do ano, publicada na Argentina, em 19 de dezembro recebeu o Clarin Award como Figura Folk do ano. CORAZON LIBRE recebeu o Premio Carlos Gardel 2006 Best Categoria Artista Feminina Album Folclore e foi indicado para o Grammy Latino nas categorias de Melhor Álbum Folk e Melhor Álbum do Ano ".
Os concertos já fizeram a característica de um Mercedes Sosa na sua interpretação e fluxo vocal impecável, com um desempenho de qualidade maravilhosa ... seus concertos mais recentes foi levado para Punta del Este, Mar del Plata, o Festival Nacional de Folclore de Cosquín para Fiesta de o Tonada em Tunuyán (Mendoza), o concerto organizado pelo Governo do maciço Cidade Palermo, Buenos Aires, em 18 de fevereiro, o concerto de abertura de Córdoba Capital Cultura da América, na cidade de Córdoba, o Festival Guitarra Dolores (Buenos Aires).
Pessoas na cidade de Rosário alegremente realizou concertos no Teatro El Círculo, no ato pelo Dia do Trabalho na frente do Monumento Bandeira na frente de 50.000 espectadores, e da 3 ª Reunião da música popular.
Mercedes Sosa também participar do Tributo a Haroldo Conti, na cidade de Chacabuco, marcando 30 anos de seu desaparecimento.
Nos concertos de 23 e 24 de Maio, no Grand Rex viu o lançamento do novo disco de Mercedes Sosa o Corazón Libre, também incluindo tópicos tradicionais de seu repertório, acompanhado por artistas convidados notáveis, além da banda no secundário concertos regulares.
Ela apareceu na série de concertos Música no Salão Branco da Casa de Governo da Argentina, para uma platéia de 150 pessoas, mas com uma audiência de um milhão de espectadores.
Em maio dia 25, cantou no acto das que fechavam ascomemorações do país na data na Plaza de Mayo, sendo sua interpretação vista por centenas de milhares de pessoas presentes na Plaza e através da televisão e rádio.
O fervor do público levou-a em suas performances, quebrando recordes de público a cada show: 500.000 pessoas acompanharam os concertos ao vivo. Inúmeros telespectadores e ouvintes, rádio e televisão ao vivo e em diferido a eles.
Mercedes Sosa: era o folclore de volta para expressões mais tradicionais dos famosos do gênero e as obras da nova geração de autores e compositores. Mercedes Sosa, retornando ao palco para renovar um compromisso com o seu público, hoje como sempre.
Completamente 2007, cumpriu os compromissos assumidos para acções em toda a América Latina e Estados Unidos.

2008
Embarcou em uma turnê que a leva para visitar a América e grande parte da Europa, Espanha, Itália e Alemanha e Israel.
Argentina, Domingo outubro 4, 2009
Mercedes Sosa, uma das maiores artistas da música popular latino-americana, nos deixou.
Haydee Mercedes Sosa, nasceu em julho 9, 1935 em San Miguel de Tucuman. Com 74 anos de idade e uma história de 60 anos, ela transitou por todos os países ao redor do mundo, dividiu o palco com inúmeros artistas de prestígio, e também deixou um legado enorme de gravações.
Sua voz sempre carregava uma profunda mensagem de engajamento social através de folk-music raízes, sem prejuízo do exercício de outros aspectos e manifestações de qualidade musical.
Seu talento inegável, a sua honestidade e suas convicções profundas deixou um enorme legado para as gerações futuras. Admirada e respeitada em todo o mundo, Mercedes é um símbolo do nosso património cultural que irá nos representar todo o sempre.
http://www.mercedessosa.com.ar/





Agnes Gonxha Bojaxhiu nasce em Skoplje (Albânia), irmã mais nova de Ágata e de Lázaro, filha de Nicolau e de Rosa. Foi batizada um dia depois de nascer em 26 de agosto de 1910. A sua família pertencia à minoria albanesa que vivia no sul da antiga Iugoslávia. Pouco se sabe da sua infância, adolescência e juventude porque Madre Teresa tinha horror de falar de si. Nunca morou na Albânia; foi educada numa escola estatal da atual Croácia, durante os tristes anos da Primeira Guerra Mundial. Tinha uma voz muito bonita e logo se converteu na solista do coro da igreja da sua aldeia. E até dirigia o coro, lá pelos anos vinte. Freqüentou a escola estatal não católica e ingressou na Congregação Mariana onde foi aperfeiçoando a formação cristã ao mesmo tempo que tomava conhecimento da vida da Igreja e abria o coração às necessidades do mundo. Particular impressão lhe faziam as cartas que os missionários jesuítas da Índia escrevia e que eram comentadas em grupo. A miséria material e espiritual de tanta gente tocava o seu coração. Aos dezoito anos surge-lhe o pensamento da consagração total a Deus na vida religiosa. Obteve o consentimento dos pais, por indicação do sacerdote que a orientava, entrou no dia 29 de Setembro de 1928 para a Casa Mãe das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, em Rathfarnham, perto de Dublin (Irlanda). O seu sonho era a Índia, o trabalho missionário junto dos pobres. Sabedoras desta aspiração da jovem iugoslava, as superioras decidiram que ela fizesse o noviciado já no campo do apostolado. Por isso, ao fim de poucos meses de estadia na Irlanda, Agnes partiu para Índia em 1931. O ideal que brilhara pela primeira vez na sua vida aos doze anos começava a concretizar-se. Foi enviada para Darjeeling, local onde as Irmãs de Loreto possuíam um colégio. Ali fez o noviciado. No dia 24 de Maio de 1931, faz a profissão religiosa, emitiu os votos temporários de pobreza, castidade e obediência tomando o nome de TERESA. Houve na escolha deste nome uma intenção, como ela própria diz: a de se parecer com TERESA DE JESUS , não com a grande santa espanhola, mas com a humilde carmelita de Lisieux que ensinou aos homens do nosso tempo o caminho da infância espiritual. De Darjeeling passou a Irmã Teresa para Calcutá. Tendo freqüentado uma carreira docente, passa a ensinar Geografia no Colégio de Santa Maria, da Congregação de Nossa Senhora do Loreto, em Calcutá. Mais tarde foi nomeada Diretora. Irmã Teresa gostava de ensinar. As alunas estimavam-na porque era uma excelente professora, sempre dedicada e atenta a todos os problemas. Havia muito humanismo nas suas palavras e atitudes. Embora cercada de menina filhas das melhores família de Calcutá, impressionava-se com o que via quando saia à rua: os bairros de lata com cheiros nauseabundos, crianças, mulheres e velhos famélicos. Faz a profissão perpétua a 24 de maio de 1937. O dia 10 de setembro de 1946 ficou marcado na história das Missionárias da Caridade e, obviamente, no livro da vida da Madre Teresa como o "dia da inspiração". Numa viagem de trem ao noviciado do Himalaia, recebe uma claríssima iluminação interior: dedicar a sua vida aos mais pobres dos pobres. Relatou-o assim: "Em 1946, ia de Calcutá a Darjeeling, de trem, para fazer o meu retiro. Nunca é fácil dormir nos trens, mas tentar fazê-lo num trem da Índia é impossível: tudo range, há um penetrante odor de sujidade pelo amontoamento de homens e animais, todo um detrito de humanidade, cestos, galinhas cacarejando... Naquele trem, aos meus trinta e seis anos, percebi no meu interior uma chamada para que renunciasse a tudo e seguisse Cristo no subúrbios, a fim de servi-lo entre os mais pobres dos pobres. Compreendi que Deus desejava isso de mim..." Irmã Teresa pensava nos pobres de Calcutá que todas noites morrem pelas ruas e que na manhã seguinte, são lançados para o carro da limpeza como se fossem lixo. Não! Ela não conseguia habituar-se a esse terrível espetáculo de pessoas esqueléticas morrendo de fome ou pedindo esmola pelas ruas. A longa e dolorosa meditação que fizera terminou com uma pergunta muito concreta: que poderei fazer por estes infelizes? Aqui a angústia da sua alma cresceu. Amava a Congregação, gostava de ensinar... quase nada poderia fazer dentro dos regulamentos a que amorosamente se sujeitara e que cumprira com toda a fidelidade. Mas Deus não pediria mais? Não seria talvez necessários ir ter com as superioras e com as autoridades eclesiásticas e expor-lhes frontalmente o problema, pedir-lhes até autorização para fazer a experiência de se colocar totalmente ao serviço dos mais pobres? Foi assim, com todas estas interrogações que a Irmã Teresa viveu o seu retiro daquele ano. Na oração e na meditação daqueles dias, mais se confirmou que a aspiração que lhe brotava do fundo da alma não era um capricho mas manifestação da vontade de Deus. Tendo regressado a Calcutá, foi ter com o arcebispo Mons. Fernando Périer a quem expôs o seu plano. Ele ouviu atentamente e, no fim, calmo, frio, disse um não absoluto que não deixou hipóteses para qualquer dúvida. A Irmã Teresa aceitou humildemente a recusa. Mais tarde comentá-la-á assim: "Não podia ter sido outra a sua resposta. Um bispo não pode autorizar a primeira religiosa que se lhe apresenta com projetos raros sob pretexto de que essa parece ser a vontade de Deus". Voltou às lides diárias que cumpria cada vez com maior dedicação e entusiasmo. O carinho das alunas demonstrado de tantas maneiras e a amizade das companheiras não lhe fizeram esquecer a imagem horrorosa dos doentes e dos famintos que morriam pelas ruas de Calcutá. Mas por vezes, apresentava-se-lhe angustiosa esta pergunta: não será tudo isto uma tentação do demônio? Um ano depois, foi ter novamente com o arcebispo. Levava nos lábios o mesmo pedido e no coração a mesma disposição para aceitar, com humildade e alegria, a resposta qualquer que ela fosse. Mons. Périer escutou, mais uma vez, as razões da Ir. Teresa. A sua simplicidade, fervor e persistência convenceram-no de que estava perante uma manifestação da vontade de Deus. Por isso, desta vez, mais afável, aconselhou: - Peça primeiro autorização à Madre Superiora. A Irmã Teresa escreveu prontamente uma carta expondo o seu plano. A Superiora viu nessas linhas a expressão da vontade de Deus. O que aquela religiosa pedia era algo muito sério e exigente. Por isso, respondeu-lhe nestes termos: "Se essa é a vontade de Deus, autorizo-te de todo o coração. De qualquer maneira, lembra-te sempre da amizade que todas nós te consagramos. Se algum dia, por qualquer razão, quiseres voltar para o meio de nós, fica sabendo que te receberemos com amor de irmãs." Mons. Périer pediu autorização a Roma para Irmã Teresa deixar as Irmãs de Loreto, "para viver só, fora do claustro tendo Deus como único protetor e guia, no meio dos mais pobres de Calcutá." A resposta de Pio XII chegou no dia 12 de Abril de 1948. Nela se concedia a desejada autorização sublinhando-se que, embora deixando a congregação de Nossa Senhora de Loreto, a Irmã Teresa continuava religiosa sob a obediência do arcebispo de Calcutá. Só em 08 de Agosto de 1948 ela deixou o colégio de Santa Maria. Custou imenso: a ela, às companheiras, às alunas. Depois dirigiu-se para Patna, para fazer um breve curso de enfermagem que julgava de imensa utilidade para a sua atividade futura. Em 21 de dezembro obtém a nacionalidade indiana. Data que reunia um grupo de cinco crianças, num bairro imundo, a quem começou a dar escola. Pouco a pouco, o grupo foi aumentando. Dez dias depois eram cerca de cinqüenta. Tendo abandonado o hábito da Congregação de Loreto, a Irmã Teresa comprou um sari branco, debruado de azul e colocou-lhe no ombro uma pequena cruz. Será o seus novo hábito, o vestido duma modesta mulher indiana. Com o alfabeto a irmã dava lições de higiene (muitas vezes iniciava a aula lavando a cara aos alunos) e de moral. Depois ia de abrigo em abrigo levando, mais que donativos, palavras amigas e as mãos sempre prestáveis para qualquer trabalho. Não foi preciso muito tempo para que todos a conhecessem. Quando ela passava, crianças famintas e sujas, deficientes, enfermos de todas a espécie gritavam por ela com os olhos inundados de esperança: Madre Teresa! Madre Teresa! Mas o início foi duro. Ela sentiu a angústia terrível da solidão. Um dia, depois de dar voltas e mais voltas, à procurada duma casa, era preciso um teto para acolher os abandonados, pus-me a caminho para achá-lo. Caminhei e caminhei ininterruptamente, até que já não pude mais. Então compreendi até que ponto de esgotamento têm que chegar os verdadeiros pobres, sempre em busca de um pouco de alimento, de remédio, de tudo. A lembrança da tranqüilidade material de que gozava no convento de Loreto e por teu amor, desejo permanecer aqui e fazer o que a tua vontade exige de mim. Não! Não voltarei atrás. A minha comunidade são os pobres. A sua segurança é a minha. A sua saúde é a minha. A minha casa é a casa dos pobres. A sua segurança é a minha. A sua saúde é a minha. A minha casa é a casa dos pobres; não apenas dos pobres mas dos mais pobres dos pobres. Daqueles de quem as pessoas já não querem aproximar-se com medo contágio e da porcaria porque estão cobertos de micróbios e vermes. Daqueles que não vão rezar, porque não podem sair nus de casa. Daqueles que já não comem porque não têm força para comer. Daqueles que se deixam cair pelas ruas, conscientes de que vão morrer, e ao lado dos quais os vivos passam sem lhes prestar atenção. Daqueles que já não choram, porque se lhes esgotaram as lágrimas; Dos intocáveis. Há fatos curiosos na vida de Madre Teresa em que podemos ver um sinal da aprovação de Deus à sua obra. Ela mesma conta: "Era a minha primeira volta pelas ruas de Calcutá depois de ter deixado Loreto e ter regressado de Patna. A certa altura aproximou-se mim um sacerdote pedindo-me um donativo para uma coleta que estava a realizar-se a favor da boa imprensa. Tinha saído de casa com cinco rúpias. Já tinha dado quatro aos pobres. Entreguei-lhe a única rúpia que me restava. ao entardecer, o mesmo sacerdote veio ao meu encontro com um envelope. disse-me que lhe tinha sido dado por um senhor desconhecido que ouvira falar dos meus projetos e me queria ajudar. No envelope vinham cinqüenta rúpias.
continua...

continuação...
Naquele momento tive a sensação de que Deus começava a abençoar a minha obra e que nunca me abandonaria." Em 19 de março de 1949 uma outra benção de Deus foram as vocações que começaram a surgir precisamente entre as suas antigas alunas. A primeira foi Shubashini Das. Era uma linda jovem, dotada de bastante inteligência, filha de uma boa família. Disse-lhe: - Madre Teresa, se me aceitar, estou disposta a ficar consigo e a colocar a minha vida ao serviço dos pobres. - Minha filha, pensa melhor, reza mais e, daqui a a algum tempo, vem ter novamente comigo. Era quase o mesmo conselho que Mons. Périer lhe tinha dado, tempos atrás. a jovem foi, prensou, rezou e no dia 19 de Março de 1949, dia de São José, era aceita na nova Congregação, que começava a surgir, escolhendo como nome para vida religiosa o nome de batismo da sua antiga professora: Agnes. A esta outras se seguiram. Sem qualquer propaganda. Apenas atraídas pelo testemunho daquelas que se chamariam, mais tarde, Missionárias da Caridade. Madre Teresa conta assim o início da congregação: "Uma a uma, a partir de 1949, vi chegar jovens que tinham sido minhas alunas. Vinham com o desejo de dar tudo a Deus e tinham pressa em fazê-lo. Despojavam-se, com íntima satisfação, dos seus saris luxuosos para revestir-se do nosso humilde sari de algodão. Vinham sabendo que se tratava de algo difícil. Quando uma filha das velhas castas se coloca ao serviço dos párias, trata-se de uma revolução. A maior. A mais difícil de todas: a revolução do amor! Uma vida mais regular começou então para a nossa pequena comunidade. Abrimos escolas enquanto continuávamos a visita aos bairros de lata. As vocações afluíam e a nossa casa tornou-se muito pequena. Ainda em 1949, começa a escrever as constituições das Missionárias da Caridade, nome que dá à sua Congregação. ... O primeiro trabalho com os doentes e moribundos recolhidos na rua era lavar-lhes o rosto e o corpo. A maior parte não conhecia sequer o sabão e a espuma metia-lhes medo. Se as Irmãs não vissem nestes infelizes o rosto de Cristo, o trabalho tornar-se-lhes-ia impossível. Nós queremos que eles saibam que há pessoas que os amam verdadeiramente. Aqui eles encontram a sua dignidade de homens e morrem num silêncio impressionante... Deus ama o silêncio. Os pobres não merecem só que os sirvamos, merecem também a alegria e as Irmãs oferecem-na em abundância. O próprio espírito da nossa congregação é de abandono total, de amor confiante e de alegria... É a nossa regra, para procurarmos "fazer alguma coisa de belo por Deus!" A lista dos bens das Irmãs é pequena: um prato esmaltado e cobertor, dois saris baratíssimos, um jogo de roupa interior grosseira, um par de sandálias, um pedaço de sabão guardado numa caixa de cigarros, um travesseiro e um colchão extremamente delgado, acompanhado de um par de lençóis e, para completar tudo, um balde metálico com o respectivo número. Assim, com o colchão enrolado debaixo do braço e as restantes coisas colocadas no balde, a Irmã que viaja leva todos os bens consigo. Ao menor sinal, as Irmãs estão preparadas para partir: "Com um pouco de treino, diz uma delas consigo estar pronta para partir em trinta minutos." A Congregação de Madre Teresa, foi aprovada pela Santa Sé em 7 de outubro de 1950. Em agosto de 1952, abre o lar infantil Sishi Bavan (Casa da Esperança) e inaugura o seu famoso "Lar para Moribundos", em Kalighat, ao qual dedica as suas melhores energias físicas e espirituais. A partir dessa data, a sua Congregação começa a expandir-se de maneira irresistível pela Índia e por todo o mundo. Na Índia, principia por Ranchi e continua depois por Nova Delhi e Bombaim; nesta cidade, será recebida pelo papa Paulo VI em 1964. A obra de Madre Teresa cresceu rapidamente. Não trazia esquemas pré-fabricados. O ritmo e as iniciativas eram marcadas pelo inesperado de cada dia. No ano de 1952 percorria, como de costume, as ruas prestando ajuda aos mais necessitados. de repente, parou diante de um espetáculo horripilante: uma mulher agonizava no meio de escombros, roída pelos ratos pelas formigas. Madre Teresa aproximou-se e ouviu um queixume em voz muito tênue: E dizer que foi o meu próprio filho que me lançou para aqui! Recolheu-a e levou-a ao hospital mais próximo. Quando viram aquele semi-cadáver responderam a Madre Teresa: - Aqui não há lugar para estes casos! Não podemos aceitar essa mulher! - Pois eu não sairei daqui enquanto vós a não receberdes. A mulher entrou mas morreu pouco depois. De regresso a casa, Madre Teresa pensou na sorte dos moribundos que todos dias morrem pelas ruas de Calcutá sem ninguém lhes prestar assistência. A imprensa tinha abordado este problema precisamente naqueles dias. Madre Teresa aproveitou a oportunidade e disse à autoridades: - Dêem-me um local que eu encarrego-me de tratar dos moribundos. Deram-lhe duas grandes salas de um edifício contíguo ao templo da deusa Kali denominado "Casa do Peregrino" porque servia de dormitório aos peregrinos. ela mudou-lhe o nome. Chamou-lhe "Casa do Moribundo." Os bonzos não levaram a bem esta entrega duma dependência sagrada a uma mulher católica. Consideraram-na uma profanação. Resolveram, por isso, encarregar um de espiar todos os movimentos da religiosa e de, no momento oportuno, desfazer-se dela. Tendo conhecimento deste plano, Madre Teresa apresentou-se ao chefe e disse-lhe: - Se querem matar-me, matem-me agora mesmo, mas não façam mal aos meus pobres moribundos. Ele ficou surpreendido com a atitude valorosa desta mulher que veio confirmar as boas informações já dadas pelo espião: - Observei com todo o cuidado a ação daquela mulher e a minha impressão foi de que, ao olhar para ela, me pareceu ver a própria deusa Kali em ação. Não façais, portanto, mal a essa mulher. Pouco a pouco, os bonzos tornaram-se seus amigos. Para isso contribuiu muito um fato que a própria Madre Teresa conta assim: "Um desses bonzos contraiu a tuberculose. Nenhum hospital o teria recebido. Nós fizemos todo o possível para o curar. Os seus companheiros vinham vê-lo. Ao princípio blasfemava contra Deus levado pelo desespero da sua doença. Da nossa parte não nos poupávamos a esforços para lhe sermos agradáveis e minorar a suas dores. Pouco a pouco, a sua atitude foi mudando. Chegou até a pedir a benção antes da morte que foi muito serena. os seus companheiros não conseguiam explicar o que tinha acontecido. Depois disto, os sacerdotes da deusa Kali nunca deixaram de demonstrar-nos a sua amizade e até de dar-nos a sua colaboração. Na catedral do Santíssimo Rosário, em abril de 1953, as primeiras Missionárias da Caridade fazem os seu votos religiosos. A ordem é aprovada pela Santa Sé a 1º de fevereiro de 1965 e, com a proteção da aprovação pontifícia, estende-se por toda a Índia. Ainda em 1965, funda no dia 26 de Julho a sua primeira casa na América Latina, concretamente na Venezuela, na arquidiocese de Barquisimeto, em 1967, abre outra no próprio coração da cristandade, em Roma, por desejo expresso de Paulo VI; mais adiante, João Paulo II dar-lhe-á de presente uma casa dentro do próprio Vaticano. A partir de 22 de agosto de 1968, a Congregação estende-se por outras regiões: Ceilão, Itália, Austrália, Bangladesh, Ilhas Maurícias, Peru, Canadá, etc. Em 8 de Dezembro de 1970 as Missionárias da caridade abrem a sua primeira casa em Londres e fixam aí o aspirantado e noviciado para a Europa e América. Em 1973, abre uma casa em Gaza, na Palestina, para atender os refugiados, e celebra a primeira Assembléia Internacional dos colaboradores das Missionárias da caridade, instituição cujos estatutos tinha sido aprovados em 1969, e que reúne centenas de milhares de pessoas de todo o mundo: 50.000 leigos, aos quais é preciso acrescentar todos os doentes e todos os que sofrem e oferecem a sua dor pelas intenções da Madre Teresa. Em 15 de junho de 1976, precisamente em Nova York, que era, no entender dela, o lugar mais necessitado de oração, funda o ramo contemplativo das Missionárias da Caridade. E em dezembro de 1976, inaugura centros de assistência no México e Guatemala. Recebe o Prêmio Nobel da Paz em 15 de outubro de 1979. Ainda no mesmo ano, João Paulo II recebe-a em audiência privada e ela converte-se, sem nunca ter estudado diplomacia, na melhor "embaixadora" do Papa em todas as nações, fóruns e assembléias do universo. Skoplje nomeia-a "Cidadã Ilustre". Muitas universidades lhe conferiram o título "Honoris Causa". E ainda em 1980, recebe a Ordem "Distinguished Public Service Award" nos EUA. Em 1981, inaugura em Berlim oriental a primeira das suas fundações em países submetidos ao marxismo. Anos mais tarde, será recebida por Mikhail Gorbachov e abrirá uma casa na Rússia. E o mesmo fará em Cuba. Em 1983, estando em Roma, sofre o primeiro grave ataque do coração, tinha 73 anos. Foi muito bem atendida e o médico disse-lhe: "A senhora tem coração para mais trinta anos" Tomou isso ao pé da letra e nem febre alta a fazia descansar. Em setembro de 1985, é reeleita Superiora das Missionárias da Caridade pelo Capítulo geral da Congregação. Só outra Irmã, Sor Josepha Michael, viu o seu nome escrito num dos votos: o que fora depositado na urna eleitoral pela Madre Teresa... Os outros 66 foram unânimes. Nesse mesmo ano, recebe do Presidente Reagan, na Casa Branca, a Medalha presidencial da Liberdade, a mais alta condecoração do país mais poderoso da terra . Participa de Sínodos, como o de 1986, e dos atos do Ano Mariano de 1987 e do Ano Santo da Redenção, bem como das viagens papais. Em agosto de 1987, vai à União Soviética e é condecorada com a Medalha de ouro do Comitê soviético da Paz. Pouco depois, visita a China e a Coréia. Em agosto de 1989, realiza um dos seus sonhos: abrir uma casa na sua Albânia natal que, apesar de ser um dos países mais pobres, injustos e atrasados do planeta, até há pouco fazia gala de ser o país mais ateu do mundo, o único em cuja Constituição figurava paradoxalmente o ateísmo como "religião do estado". Em setembro de 1989, sofre o seu segundo ataque do coração e corre sério risco de vida, mas recupera-se e retoma o seu incrível trabalho com mais ardor e vigor do que antes, apesar do marcapasso. Em 1990, pede ao Papa para ser substituída no seu cargo, mas volta ser reeleita por outros seis anos, até 1996, e o Papa torna a confirmá-la - Já o fizera outra vez antes - como Superiora das Missionárias da Caridade. A Madre Teresa nunca perdia uma oportunidade para levar todos aqueles com quem se cruzava, independentemente da sua origem, da sua posição social ou da sua religião, a encontrar-se com Cristo. - "Vamos, primeiro, cumprimentar o dono da casa". Era com essa frase simples que costumava receber a maior parte das personalidades - por exemplo, o então Primeiro-Ministro Nehru -, que vinham conhecer a casa das Missionárias da Caridade, dirigindo-as resolutamente à capela do Santíssimo Sacramento. No dia 05 de setembro de 1997, depois de sofrer uma última parada cardíaca, foi a vez de ela poder encontrar-se, desta vez definitivamente, com o Dono e Senhor da sua alma. Uma fila de quilômetros formou-se durante dias a fio, diante da igreja de São Tomé, em Calcutá, onde o seu corpo estava sendo velado. Ao fim de uma semana, como muitos milhares de pessoas ainda queriam dizer-lhe o último adeus, o corpo da Madre foi transladado ao Estádio Netaji, onde o cardeal Ângelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano, celebrou a Missa de corpo presente. O mesmo veículo que, em 1948, transportara o corpo do Mahatma Gandhi foi utilizado para realizar o cortejo fúnebre da Mãe dos pobres.

http://www.e-biografias.net/biografias/madre_calcuta.php


Chiquinha Gonzaga
Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga, (Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1847 — Rio de Janeiro, 28 de fevereiro de 1935) foi uma compositora e pianista brasileira.
Foi a primeira chorona, primeira pianista de choro, autora da primeira marcha carnavalesca (Ô Abre Alas, 1899) e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil. No Passeio Público, há uma herma em sua homenagem, obra do escultor Honório Peçanha.
A vida de Chiquinha Gonzaga foi conturbada desde seu nascimento. Filha de uma negra com um militar, a pobre menina mestiça, não teve uma infância muito tranqüila. Rosa Maria de Lima, sua mãe, enfrentou muito preconceito quando engravidou de Francisca Edwiges. O pai, José Basileu Gonzaga, militar bem-sucedido, era filho de família abastada e sofreu uma forte pressão de seus pais, totalmente contrários ao casamento com Rosa. Chiquinha nasceu no dia 17 de outubro de 1847, bastarda. Na época do nascimento seu José Basileu estava viajando.
Mas essas barreiras não foram suficientes para separar a família. Algum tempo depois, José não só assumiu Chiquinha como sua filha legítima mas também casou-se com Rosa. Dessa relação nasceram mais três filhos.
Chiquinha sempre foi tratada com pompas. Educada para tornar-se uma sinhazinha, a moça nunca se rendeu ao estilo aristocrata do pai. Muito pelo contrário, a menina mostrou desde cedo que tinha uma personalidade determinada e inquieta. Chiquinha foi alfabetizada em casa. O responsável por sua formação escolar foi o cônego Trindade, contratado por seu pai. Paralelamente, recebia uma educação musical. O maestro Lobo dava aulas de piano para ela. A primeira vez que Chiquinha mostrou seus dotes musicais foi em 1858, durante um Natal em família.

Aos 16 anos, a jovem casou-se com Jacinto Ribeiro do Amaral, rico proprietário de terras. O presente de casamento de seu pai não podia ser outro: um piano. A partir daí, este instrumento musical assumiu uma grande importância na vida de Francisca, que preenchia todos os momentos de lazer tocando. O excesso de zelo com o piano começou a provocar ciúmes no marido. Chiquinha foi mãe, pela primeira vez, aos16 anos.
Algum tempo depois, teve mais dois filhos. Em 1865, durante a Guerra entre Brasil e Paraguai, Jacinto fretou o seu navio mercante, o São Paulo, para o transporte de soldados e armas. Com a intenção de afastar a mulher do piano ele decidiu levá-la com ele nas viagens de navio. Mas nada tiraria de Chiquinha a paixão pela música. Durante a travessia ela conseguiu um violão e não desgrudou mais dele. Isso foi a gota d’água para Jacinto. Ele deu um ultimato para Chiquinha: ou ele ou a música. Chiquinha deixou o marido e retornou para o Rio de Janeiro. Voltou para ele quando descobriu que estava grávida novamente. Após o nascimento do menino, ela decidiu abandonar Jacinto definitivamente. Quanta coragem! Essa atitude foi extremamente reprovada por sua família que decidiu que dali em diante ela estava morta.
Após a separação, envolveu-se em 1867 com o engenheiro João Batista, mas acaba por não aceitar suas aventuras extraconjugais. Separa-se e passa a viver como musicista independente, tocando piano em lojas de instrumentos musicais. Deu aulas de piano para sustentar o filho e obteve grande sucesso, tornando-se também compositora de polcas, valsas, tangos e cançonetas. Ao mesmo tempo, uniu-se a um grupo de músicos de choro, que incluía ainda o compositor Joaquim Antônio da Silva Calado, apresentando-se em festas.
Chiquinha conheceu João Batista Fernandes Lage, por quem se apaixonou. Na época, tinha 52 anos e João Batista 16, o que fez com que ela o adotasse como filho para viver esse grande amor. Suas filhas, Maria do Patrocínio e Alice Maria, entraram na justiça para provar que João não era filho legítimo, mas não levaram a causa adiante. Chiquinha morreu ao lado de João Batista, em 1935, quando começava Carnaval.
A necessidade de adaptar o som do piano ao gosto popular valeu a Chiquinha Gonzaga a glória de tornar-se a primeira compositora popular do Brasil. O sucesso começou em 1877, com a polca Atraente.
A partir da repercussão de sua primeira composição impressa, resolveu lançar-se no teatro de variedades e revista. Estreou compondo a trilha da opereta de costumes "A Corte na Roça", de 1885. Em 1911, estréia seu maior sucesso no teatro: a opereta Forrobodó, que chegou a 1500 apresentações seguidas após a estréia - até hoje o maior desempenho de uma peça deste gênero no Brasil. Em 1934, aos 87 anos, escreveu sua última composição, a partitura da peça "Maria". Foi criadora da célebre partitura da opereta "A Jurity", de Viriato Correia.
Viaja pela Europa entre 1902 e 1910, tornando-se especialmente conhecida em Portugal, onde escreve músicas para diversos autores.
Chiquinha participou ainda, ativamente, da campanha abolicionista e da campanha republicana, e foi fundadora da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.
Ao todo, compôs músicas para 77 peças teatrais, tendo sido autora de cerca de duas mil composições. em gêneros variados: valsas, polcas, tangos, lundus, maxixes, fados, quadrilhas, mazurcas, choros e serenatas.
Bibliografia
* DINIZ, Edinha. Chiquinha Gonzaga: uma história de vida (11a. ed.). Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 2005.
http://www.experta.com.br/tariqexperta/nos/elas_ousaram20010115.html



meu Eu...beijo...

Lua Branca
Chiquinha Gonzaga
Ó! lua branca de fulgores e de encanto,
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo
vem tirar dos olhos meus, o pranto
Ai vem matar essa paixão que anda comigo,
Ai! Por quem és, desce do céu, ó ! lua branca
Essa amargura do meu peito, ó! vem e arranca
Dá-me o luar da tua compaixão
Ó! vem, por Deus, iluminar meu coração.
E quantas vezes lá no céu me aparecias
A brilhar em noite calma e constelada,
A sua luz então me surpreendia
Ajoelhado junto aos pés da minha amada
Ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo
Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo...
Ela partiu, me abandonou assim
Ó! lua branca, por quem és, tem dó de mim!...


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